Ministro defende reforma agrária
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segunda-feira, 21 de agosto de 2000
Agência Estado De Porto Alegre 
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Sepúlveda Pertence, declarou ontem que a proposta de limitação do tamanho das propriedades rurais deveria ser flexível e à base do módulo rural, que permita a adequação do limite à evolução da tecnologia da terra e da conjuntura econômica. Pertence acentuou que a idéia de restrição das dimensões das fazendas é antiga e tem bons argumentos.
O projeto de emenda constitucional é da deputada Luci Choinaki (PT/SC) e estabelece que, para cumprir sua função social, as propriedades teriam áreas máximas entre 700 a 3.800 hectares, dependendo da região do País. O ministro enfatizou que, no Brasil, a reforma agrária continua sendo um imperativo de justiça social.
Admitiu que sobretudo ante o discurso do pensamento único do neoliberalismo globalizante o assunto aparenta ser algo já envelhecido. Afirmou, porém, que, num país com um perfil tão perverso de iniquidade social, a distribuição da terra significa não só a solução para o campo mas dos grandes problemas urbanos. Na sua avaliação, a reforma somente não ocorreu no Brasil porque ainda não teve força política para se impor. Para ele, reforma agrária ou é prioridade ou não existe.
Indagado sobre o papel que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desempenha, o ministro do STF reconheceu que uma organização deste tipo pode assumir certos momentos de radicalismo na sua luta. Mas ponderou que tais atitudes são produto do adiamento histórico e secular do problema agrário no Brasil. E advertiu que o problema da estrutura agrária do País não se resolverá à base da repressão.


