A divulgação tardia do vazamento de 22 mil litros de água radioativa, por falha humana, dentro da usina nuclear de Angra 1 foi mal recebida por setores governamentais e não-governamentais. O vazamento ocorreu em 28 de maio deste ano, mas só foi noticiado nesta semana. Nem mesmo as autoridades municipais foram notificadas na ocasião. Para o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho (foto), o País deveria adotar uma moratória na expansão do uso de energia nuclear.
''O vazamento interno em Angra, mesmo tendo sido de nível 1, ou seja, de baixa periculosidade, revelou a suscetibilidade da usina a falhas humanas'', afirma. ''Além disso, depois dos atentados terroristas nos Estados Unidos, fomos comunicados de que usinas nucleares deveriam ter cuidados especiais, por serem possíveis alvos.''
Sarney Filho diz que o ministério irá se posicionar oficialmente depois de debater com todos os segmentos envolvidos e do parecer do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). ''Pedimos vistas ao projeto de Angra 3 ao Conselho Nacional de Energia e já fizemos reuniões com cientistas e ambientalistas sobre o assunto. Teremos ainda uma audiência com os executivos do setor, antes de remeter o projeto ao Conama'', explica.
Para Marijane Lisboa, do Greenpeace, este incidente demonstra o que a entidade ambientalista sempre defendeu, ou seja, ''a energia nuclear é intrinsecamente perigosa e sujeita a falhas humanas''. Além disso, a falta de transparência e a forma como os responsáveis pelas usinas reagiram ao acidente, ''são reações típicas de quem sabe que está lidando com algo perigoso e não quer divulgar os riscos reais, porque, conhecendo-os, as autoridades locais e a população formariam uma opinião diferente sobre a necessidade da energia nuclear''.
O Greenpeace defende a substituição das usinas nucleares por fontes de energia limpa, como a eólica, solar e de biomassa. ''Não tem cabimento o País ainda estar discutindo a possibilidade de construir Angra 3, quando o mundo inteiro já está recuando no uso da energia nuclear'', acrescenta Marijane. ''Vamos além da moratória defendida pelo ministro e achamos que as usinas 1 e 2 também deveriam ser fechadas, para reduzir os riscos de contaminação.''
Ela não fala nem em eliminar os riscos, porque já existem estoques de combustível radioativo usado para ser monitorados por muitos anos, mas ''pelo menos não estaríamos aumentando o perigo''.

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