Ministro defende mais aulas práticas em cursos de licenciatura
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Por Demétrio Weber 
Brasília, 29 (AE) - O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, quer que as faculdades de educação no País reforcem as aulas práticas nos cursos de licenciatura, responsáveis pela formação de professores. Estudo do Ministério da Educação (MEC) indicou que alunos de profissionais formados em outros cursos de nível superior, como engenharia e medicina, têm melhor desempenho do que estudantes com professores licenciados."Teoricamente isso é um absurdo", lamentou o ministro
"Os dados mostram que praticamente é indiferente, para o bom desempenho do aluno, que o professor tenha licenciatura ou não", lamentou Paulo Renato. Segundo o ministro, o papel do professor é ajudar o aluno a aprender. "Vejo que, muitas vezes, as licenciaturas, os cursos das faculdades de educação, têm excesso de carga teórica e menos atenção para as questões práticas do processo de ensino e aprendizagem", criticou.
Estágio - A proposta de Paulo Renato está de acordo com a reforma curricular em andamento na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) que valoriza o estágio dos estudantes. "Estamos fazendo projetos conjuntos com escolas, principalmente da rede pública, e supervisionando os estágios", afirmou Miriam Krasilchik.
Outra preocupação é tornar os currículos mais flexíveis: "Os alunos devem ter atividades interdisciplinares e maior liberdade de escolha das disciplinas", afirmou a diretora. Nos últimos dois anos, segundo ela, a procura pelos cursos de licenciatura na USP mais do que dobrou, saltando, em média, de 2 mil para 4,5 mil alunos por semestre. "Os estudantes e a sociedade estão valorizando mais a educação."
Estudo - De acordo com a presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão ligado ao MEC e responsável pelo estudo, Maria Helena Guimarães de Castro, cerca de 80% dos cursos de licenciatura são oferecidos por instituições privadas e 70% deles funcionam à noite. "Os professores licenciados, portanto, são egressos de escolas de baixa qualidade e enfrentam a dificuldade extra de estudar depois de um dia de trabalho", observou Maria Helena.
O documento elaborado pelo ministério analisou os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb-97), teste aplicado em 167 mil estudantes da 4.ª e 8.ª séries do ensino fundamental (antigo 1.º grau) e da 3.ª série do ensino médio (antigo 2.º grau), em 1997.
Nas disciplinas avaliadas nas três séries (português, matemática e ciências) os alunos de professores formados em outros cursos de nível superior obtiveram melhores notas do que os estudantes cujos mestres eram egressos de cursos de licenciatura.


