Brasília, 06 (AE) - O ministro da Agricultura, Francisco Turra, anunciou, hoje, que vai defender uma linha de crédito de R$ 4 bilhões para os pequenos agricultores e assentados da reforma agrária na próxima safra, dentro do programa Novo Mundo Rural, que unifica as políticas para os dois segmentos. Segundo ele, cerca de 300 mil assentados deverão migrar para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), o que representa um acréscimo de um terço do público atendido pelo plano na safra atual. "Assinamos 900 mil contratos com a aplicação de R$ 2,5 bilhões em 1998/99 e, além da ampliação natural do programa, precisaríamos mais um terço deste valor para atender ao novo público", avaliou.
No programa Avança Brasil, os recursos estimados para o Pronaf este ano são de R$ 3 bilhões. Na pauta do Grito da Terra, os trabalhadores rurais reunidos na Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) pediram um volume total de recursos para o Pronaf de R$ 5 bilhões e taxas fixas para cada uma das diferentes linhas do programas. "Já informamos que não temos como garantir isso", explicou. Resistência - Segundo o ministro, há dois focos de resistência contra o programa Novo Mundo Rural - em que o governo pretende unificar as políticas de crédito para os assentados da reforma agrária e os pequenos agricultores. De acordo com Turra, o Movimento dos Trabalhdores Rurais Sem-Terra (MST) quer manter a situação "cômoda" do crédito subsidiado do Procera (Programa de cCédito da Reforma Agrária) enquanto a Contag resiste a ter uma pequena fatia destinada aos pequenos agricultores ainda repartida com 300 mil clientes a mais.
"No momento em que for definido o volume de recursos, as condições e as metas do programa acredito que eles entenderão a proposta", afirmou. Para Turra, a ocupação em massa de propriedades rurais anunciada pela Contag como forma de protesto contra a unificação das linhas de crédito para assentados e pequenos produtores rurais, decorre mais de falta de informação. "Conversei com os dirigentes da Contag que vieram entregar a pauta do Grito da Terra e não vejo nenhuma resistência maior ao programa Novo Mundo Rural", concluiu.

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