Ministro debate projeto sobre crimes hediondos
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quarta-feira, 17 de setembro de 1997
Agência Folha Brasília 
Dida Sampaio/Agência Estado
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MudançaO ministro do STF, Celso Mello, que participou da 1ª Conferência Internacional de Direitos Humanos, encerrada ontem em Brasília, acha que o projeto do governo sobre crimes hediondos é importante e precisa ser amplamente discutido no CongressoO presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, disse ontem que o projeto do governo sobre crimes hediondos, em tramitação no Senado, não reduz penas, mas sim abranda suas formas de execução. Embora não diminua as penas, o projeto estabelece uma transformação importante, ele passa a denominar delito hediondo como crime de especial gravidade. Essa modificação pode eventualmente excluir das restrições fixadas pela Constituição crimes até hoje classificados como hediondos, disse.
Atualmente, a lei determina que crimes hediondos são inafiançáveis. O projeto foi aprovado na semana passada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Ele estabelece que os condenados por crime hediondo, como sequestro e tortura, podem cumprir metade da pena em liberdade condicional.
Anteontem a proposta voltou à CCJ. O projeto é importante e precisa ser amplamente discutido, afirmou Mello. O presidente do STF deu as declarações após palestra sobre a democratização do poder Judiciário e acesso à Justiça na 1ª Conferência Internacional de Direitos Humanos, encerrada ontem em Brasília. A juíza Maria Lúcia Karam, afirmou que a lei de crimes hediondos é o marco inicial de uma escalada repressora na produção e aplicação de legislações que, para ela, são verdadeiras normas de exceção. A hedionda lei, produzida como resposta a um pânico artificialmente provocado por alguns sequestros no Rio no início de 90, mais do que ter sua aplicação inquestionada, passou a ter reivindicada sua extensão a outros delitos nela não contemplados.


