O ministro da Saúde, José Serra, disse ontem, em Brasília, que vale a pena aumentar a guerra contra o fumo. ‘‘Por enquanto, é uma escaramuça’’, afirmou. O presidente Fernando Henrique Cardoso editará nos próximos dias um decreto exigindo a separação física das áreas de não-fumantes nos bares e restaurantes e restringindo o uso do fumo em outras áreas. O governo já enviou um projeto de lei ao Congresso, com restrições ao uso e à propaganda do cigarro. ‘‘Temos a obrigação de proteger os jovens, para que não entrem no vício e evitar prejuízos aos não-fumantes’’, disse Serra, que detesta cigarro.
‘‘Eu respeito a pessoa que quer fumar’’, afirmou o ministro. ‘‘Mas estamos procurando ampliar as ações para proteger a saúde da população’’. O projeto de lei enviado ao Congresso é bem restritivo. Ele propõe, por exemplo, a proibição, sem tempo determinado, de se fumar em aviões ou outros veículos de transporte coletivo. Atualmente, se permite o fumo após a primeira hora de vôo. Mesmo antes da votação do projeto pelos parlamentares, o decreto já permitirá ao Departamento de Aviação Civil (DAC) punir pessoas que insistam em fumar antes da primeira hora de vôo.
O projeto de lei também não permite o fumo em recintos coletivos. A publicidade de cigarros e bebidas terá de ser em horário mais limitado, caso a proposta seja aprovada.
Está em estudo pelo ministério a possibilidade de algumas doenças psiquiátricas serem cobertas pelos planos privados de saúde. ‘‘Esse assunto está sendo analisado’’, disse Serra. ‘‘É uma área complicada, porque há casos que são óbvios, mas tem casos, como a psicoterapia, que não dá para incluir porque não há plano que suporte’’. Segundo o ministro, as negociações estão em busca de ‘‘um ponto de equilíbrio’’.

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