Ministro da Saúde quer guerra ao fumo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de agosto de 1998
Agência Estado 
O ministro da Saúde, José Serra, disse ontem, em Brasília, que vale a pena aumentar a guerra contra o fumo. Por enquanto, é uma escaramuça, afirmou. O presidente Fernando Henrique Cardoso editará nos próximos dias um decreto exigindo a separação física das áreas de não-fumantes nos bares e restaurantes e restringindo o uso do fumo em outras áreas. O governo já enviou um projeto de lei ao Congresso, com restrições ao uso e à propaganda do cigarro. Temos a obrigação de proteger os jovens, para que não entrem no vício e evitar prejuízos aos não-fumantes, disse Serra, que detesta cigarro.
Eu respeito a pessoa que quer fumar, afirmou o ministro. Mas estamos procurando ampliar as ações para proteger a saúde da população. O projeto de lei enviado ao Congresso é bem restritivo. Ele propõe, por exemplo, a proibição, sem tempo determinado, de se fumar em aviões ou outros veículos de transporte coletivo. Atualmente, se permite o fumo após a primeira hora de vôo. Mesmo antes da votação do projeto pelos parlamentares, o decreto já permitirá ao Departamento de Aviação Civil (DAC) punir pessoas que insistam em fumar antes da primeira hora de vôo.
O projeto de lei também não permite o fumo em recintos coletivos. A publicidade de cigarros e bebidas terá de ser em horário mais limitado, caso a proposta seja aprovada.
Está em estudo pelo ministério a possibilidade de algumas doenças psiquiátricas serem cobertas pelos planos privados de saúde. Esse assunto está sendo analisado, disse Serra. É uma área complicada, porque há casos que são óbvios, mas tem casos, como a psicoterapia, que não dá para incluir porque não há plano que suporte. Segundo o ministro, as negociações estão em busca de um ponto de equilíbrio.


