Brasília, 21 (AE) - Os nomes dos delegados Paulo Gustavo Magalhães Pinto e Zulmar Pimentel figuravam, até o final da tarde de hoje, como os principais candidatos à direção-geral da Polícia Federal em substituição ao delegado João Batista Campelo
exonerado na última sexta-feira. Enquanto aguardava o chamado do presidente Fernando Henrique Cardoso para a reunião em que seria definida a indicação, o ministro da Justiça, Renan Calheiros, insistiu que a escolha deve ser "técnica e funcional", perfil em que se encaixa a trajetória dos dois delegados mais cotados. Na avaliação do ministro, o novo diretor da PF tem de ser um delegado de carreira.
O presidente Fernando Henrique Cardoso telefonou hoje pela manhã para o ministro e ficou acertado que se encontrariam para discutir o assunto. Até o início da noite, entretanto, Renan não havia sido chamado ao Planalto. Colaboradores próximos ao presidente evitaram comentar o nome do eventual escolhido, mas frisaram que não havia pressa em anunciar o novo diretor-geral da Polícia Federal. "Será uma escolha sem açodamento", garantiu um interlocutor próximo ao presidente.
A idéia, afirmaram, era promover a escolha mais adequada, para não incorrer no mesmo erro que culminou na exoneração de Campelo apenas 72 horas após sua posse. Acusado de ter praticado tortura durante investigações conduzidas no regime militar, o delegado não aguentou a pressão e pediu demissão. Para o governo
embora a rapidez na escolha do diretor da Polícia Federal fosse a melhor estratégia para evitar um novo round na disputa entre os partidos aliados, a maior preocupação era encontrar um nome de consenso e sem máculas no passado.
Na lista de cinco nomes - de Marcelo Itagiba, Arthur Lobo Filho e Nascimento Alves Paulino, além dos dois preferidos - a decisão poderia ser feita entre Pimentel e Magalhães Pinto. A primeira conversa do ministro da Justiça com o presidente foi pelo telefone. Depois da ligação, Renan deu declarações indicando que sua "permanência" no governo "não passa pela nomeação" do novo diretor-geral da PF. O ministro fora derrotado na primeira indicação, quando tentou efetivar o delegado Wantuir Jacine, então diretor interino, no comando da PF.
Enfraquecimento - Assessores de Renan Calheiros dizem que o presidente Fernando Henrique Cardoso não gostou da atitude do ministro, que deu posse a João Batista Campelo com um discurso de poucos segundos e enviou pedido de investigação sobre o novo diretor-geral à Secretaria Nacional dos Direitos Humanos. Renan acabou devolvendo o problema ao Palácio do Planalto e colocando a responsabilidade da nomeação nas mãos de Fernando Henrique.
Se dentro do Palácio do Planalto muita gente acha que Renan Calheiros saiu enfraquecido do episódio, ao se colocar desde o início contra a nomeação feita por Fernando Henrique Cardoso, dentro do Ministério da Justiça a avaliação é que Renan saiu fortalecido por ter dado uma resposta à sociedade e às entidades de direitos humanos, ao se posicionar contra as torturas feitas por Campelo durante o regime militar.

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