Ministro da Educação defende cobrança de mensalidade na pós-graduação
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quinta-feira, 23 de maio de 2019
Natália Cancian - Folhapress 
Brasília - O ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse nesta quarta-feira (22) ser contra cobrança de mensalidade de alunos na graduação, mas defendeu que isso ocorra para a pós-graduação, como em alguns cursos de mestrado. "Cobrar dos alunos de graduação eu sou contra, porque é uma discussão que vai ser muito acalorada e a gente vai gastar uma energia gigantesca para poucos alunos que são de famílias ricas, mas que às vezes é de família rica e tem pai desnaturado", disse.

"Mas eu acho que se a gente focar na cobrança de pós-graduação, você não tem que discordar. Está lá o bonitão com o diploma de advogado querendo fazer o mestrado. E aí tem que pensar em pagar. O aluno de graduação, acho que não, esse a gente poderia postergar. Mas o de pós, esse tem condição de pagar." Segundo o ministro, no entanto, a cobrança não valeria para todos os cursos. "Não é para toda pós-graduação, mas para algumas que têm visão de mercado, a gente aí poderia cobrar e daria mais receita em relação ao custo, energia e retorno financeiro."
A afirmação ocorreu durante audiência em comissão Câmara dos Deputados. Mais cedo, o ministro já havia dito ser contra a cobrança de mensalidade na graduação, mas disse que alunos dessa etapa estariam em situação mais privilegiada em relação aos de outros níveis. "Somos contra a cobrança de alunos na graduação. Não é nosso projeto. Mas a verdade é que esse aluno mesmo sendo pobre e humilde está numa situação melhor socialmente do que uma criança que não consegue entrar na escola ou em uma creche", disse. Ainda no encontro, o ministro buscou tentar minimizar o impacto do contingenciamento de verbas para as universidades. "Não adianta a gente achar que os recursos são infinitos. Nossos desejos são finitos", disse.
Em meio ao debate, parlamentares da oposição contestaram as declarações e saíram em defesa das universidades. Convocada para explicar os cortes nas verbas de educação, a audiência terminou em tumulto entre parlamentares e representantes do movimento estudantil. A confusão começou após a presidente da mesa, a deputada Professora Marcivânia (PCdoB-AP) abrir espaço para que representantes dos estudantes pudessem falar durante a audiência. A abertura foi contestada por alguns deputados aliados do governo. Houve tumulto.
Estudantes se aproximaram da mesa e foram empurrados por seguranças, que tentaram retirá-los do local. Minutos depois, o ministro saiu escoltado da comissão e a audiência foi encerrada em meio a vaias e protestos. "Para falar com o ministro da educação, onde mais temos que estar?", questionou a presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Mariana Dias. "Botar estudante para fora é postura de casa democrática? A partir de hoje, Bolsonaro e seu ministro não dormem mais em paz porque é estudante na rua. Se eles querem balbúrdia, a gente faz em defesa dos nossos direitos."


