Brasília, DF- Novas formas de acesso ao ensino superior que reduzam privilégios, discussão sobre a atual divisão das universidades em departamentos e modificações da relação público-privado estão entre os principais pontos que o Ministério da Educação usará para orientar a reforma universitária.
A previsão é que até novembro esteja pronto o projeto de reforma, a ser enviado ao Congresso.
Para o ministro Tarso Genro (Educação), a estrutura ''departamentalizada'' da universidade fragmenta o debate científico e não permite uma conexão entre as diferentes áreas do conhecimento. Com isso, a universidade não consegue acompanhar as mudanças científicas. ''Sua estrutura departamental, ao mesmo tempo que não conseguiu abarcar as mutações rápidas da realidade científica em franca ebulição, começou a estabelecer vínculos privados não-explícitos para não perder as conexões com o mundo real'', diz.
Segundo ele, outro ponto importante da reforma será a definição de novas relações entre instituições públicas e privadas, que vão influenciar, inclusive, as formas de acesso à universidade.
Sem dar detalhes do que pretende, Tarso lembra que quase 80% das matrículas no ensino superior estão em instituições particulares. ''A reinvenção da relação entre o público e o privado entra em cheio na agenda da reforma. Este é o caminho realista, nem cínico nem demagógico, que precisamos forjar para que a universidade pública tenha um caráter de instituição de referência do sistema nacional de educação superior e o setor privado se integre, cumprindo também uma missão de natureza pública.''
Enquanto o Brasil tem, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2001, só 9% dos jovens entre 18 e 24 anos matriculados em cursos superiores, países como Argentina, Alemanha e França atingem índices que variam de 40% a 60%.
Uma forma de ampliar o acesso, para Tarso, seria a integração de instituições particulares e públicas. A idéia é valorizar as públicas para que ajudem no processo de qualificação das privadas.
Nesse debate, o ministro quer a participação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Ligado à Presidência, o conselho era coordenado por Tarso antes de ele assumir o ministério.

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