Ministro da Defesa quer militares no combate ao tráfico Isabel Braga e Tânia Monteiro
Brasília, 10 (AE) - O ministro da Defesa, Élcio álvares, que tomou posse oficialmente hoje, vai acionar as Forças Armadas para trabalhar com a Polícia Federal no combate ao narcotráfico. Segundo ele, "as Forças Armadas não ficarão ausentes de maneira nenhuma num chamamento constitucional para dar uma ênfase maior a esse combate", disse, depois da solenidade de criação do ministério.
Os militares têm-se posicionado contra a participação da tropa no combate ao narcotráfico, prestando-se apenas a oferecer apoio técnico e logístico. A criação da Secretaria Nacional Antidrogas, com a atribuição de reprimir o tráfico, foi o principal motivo do desentendimento entre o chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, e o ministro da Justiça, Renan Calheiros. O ministro da Justiça reiterou que essa missão é da Polícia Federal, que tem a delegação constitucional de combater o narcotráfico, e já avisou que não abre mão desse encargo.
Já Élcio álvares pensa diferente. "Eu parto do princípio que nós devemos nos unir sobre os mesmos propósitos e o nosso propósito maior, seja o esforço da Polícia Federal ou da Casa Militar, é de dar combate reiterado ao narcotráfico." Quando os jornalistas insistiram se as Forças Armadas iriam entrar no combate, Élcio reconheceu que a iniciativa constitucional de combate ao narcotráfico é da Polícia Federal e observou: "As Forças Armadas são legalistas, são constitucionalistas, nós vamos cumprir o dispositivo, mas onde for permitido (atuaremos)".
O ministro da Defesa usou como exemplo o uso de aviões caças leves, comprados pela Aeronáutica, para o patrulhamento do espaço aéreo. "Esses aviões são adequados porque geralmente o narcotráfico é feito em aviões de pequeno porte e dessa forma podemos ajudar no combate", acentuou.
O ministro afirmou ainda que pretende formular uma política para permitir o combate conjunto de PF e militares ao tráfico de drogas. "O comando dessa política compete à Polícia Federal, mas ela pode, em qualquer momento, lançar mão de entidades do governo e mesmo da sociedade civil para a luta contra o narcotráfico", acrescentou.
DEFESA - Na solenidade de criação do Ministério da Defesa e extinção dos Ministérios do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, o presidente Fernando Henrique Cardoso disse, em discurso, que o objetivo da nova pasta é otimizar o sistema de defesa nacional. "Não é um ato de extinção, é um ato de renovação", disse, explicando que as insinuações de que sua intenção era subordinar os militares ao poder civil não são verdadeiras. "Isso já ocorria", disse ele, acrescentando que o presidente da República é o comandante supremo das Forças Armadas, e sempre contou com o apoio irrestrito dos militares. O ex-ministro-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Benedito Leonel, que deixou o cargo, comentou que essa discussão é "um folclore" porque o presidente é um "tremendo de um paisano".
O ministro Élcio álvares disse que só hoje começa a atuar como comandante dos militares. "O ministério passa agora a ter orçamento próprio e poder decisório", disse, que evitou temas polêmicos como a reabertura do caso Riocentro e funcionamento de serviços de inteligência. "Vou me permitir evitar qualquer tipo de pronunciamento político", esquivou-se, ao lembrar que "o ministério é suprapartidário". Na estrutura do novo ministério, foi nomeado hoje o brigadeiro Nelson Souza Taveira para o cargo de chefe do Estado-Maior da Defesa.





