Ministro da Cultura quer a volta do latim
Na semana passada o ministro da Cultura, Francisco Weffort, propôs a volta do latim às salas de aula dos cursos fundamental e médio. Ele defendeu a inclusão obrigatória nos currículos de línguas como espanhol, grego e francês, além de disciplinas artísticas como o canto. Isso serviria, acredita o ministro, para melhorar a qualidade do ensino e a formação dos estudantes.
Não há muito o que inventar sobre cultura e educação: os conceitos básicos vêm da Antiguidade clássica greco-romana, disse Weffort. Para ele, é fundamental retomar a formação humanista dos alunos. Não me surpreende que haja problemas de qualidade no ensino básico, afirmou, ao saber que piorou nos últimos dois anos o desempenho dos estudantes no Sistema de Avaliação da Educação Básica - teste aplicado pelo Ministério da Educação (MEC).
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação baniu o latim das escolas públicas em 1961. Com isso, o ensino da língua ficava restrito a poucas instituições e ao nível superior, sobretudo às faculdades de direito. Nas décadas seguintes, o estudo do latim clássico (de 65 a.C até 50 d.C.), língua do Antigo Império Romano, foi praticamente abandonado.
Coordenadores e diretores de escolas de São Paulo acreditam que não há mais espaço para o latim nos currículos. Mesmo onde a língua voltou às salas de aula de forma extracurricular, caso da Escola Vera Cruz, a idéia de incluir o ensino do latim no rol de disciplinas obrigatórias é refutada. A diretora-pedagógica Maria Lúcia Di Giovani diz que o latim não resolve o funil de entrada na universidade, que é o que interessa à sua clientela.
O governo nunca impôs o grego nas escolas do País. O ensino do francês já foi obrigatório. Na década de 80, no entanto, só Rio e Goiás ainda ensinavam o idioma. As tentativas de impor o espanhol são recentes e ainda dispersas. (A.E.)





