Brasília, 16 (AE) - O ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, foi ouvido na tarde de ontem (15), no gabinete dele, em Brasília, por um delegado da Polícia Federal (PF), sobre o caso do grampo dos telefones ocorrido no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em julho
por ocasião da privatização das empresas telefônicas. O general explicou que foi ouvido a pedido do Ministério Público (MP) do Rio, que está investigando quem colocou os grampos no BNDES.
De acordo com o general, foi um depoimento "soft", que durou apenas 20 minutos. Ele não quis revelar, no entanto, o nome do delegado da PF que esteve no gabinete, alegando sigilo de Justiça. As fitas sugeriam que o então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, teria passado informações privilegiadas para empresas durante a venda das teles. Por causa disso, o ministro acabou deixando o cargo.
Cardoso assegurou que não há novidade no depoimento. Segundo ele, a área de informações do governo, sob responsabilidade dele, não está investigando mais o caso. A participação da área de inteligência do governo encerrou-se em novembro, quando as investigações e as fitas foram repassadas à PF. Na opinião do general, é difícil descobrir quem instalou os grampos nos telefones do BNDES.
"Quem coloca grampos dificilmente deixa pistas", argumentou. Cardoso comentou que apenas repetiu para o delegado e o escrivão da PF, que o ouviram, as declarações dadas por ele à imprensa em novembro. Naquela época, ele informou que as duas fitas foram encontradas pelo pessoal da Subsecretaria de Inteligência, sob um viaduto na Rodovia BR-040, estrada Brasília-Belo Horizonte, após um agente receber um telefonema anônimo, no fim de setembro, informando onde estavam as gravações. As duas fitas continham gravações de conversas no telefone da presidência do BNDES.
Hoje, antes de sair da Alemanha para Portugal, onde se encontra em viagem oficial, o presidente Fernando Henrique Cardoso mostrou-se, mais uma vez, irritado com o que chamou de denuncismo e prometeu que as investigações do dossiê Caymã, que afirmava que ele e mais quatro dirigentes tucanos seriam sócios de uma empresa no paraíso fiscal, não vão ficar impunes. As denúncias sobre as contas em Caymã ocorreram na mesma época em que foi a público o grampo no BNDES.
De acordo com o ministro-chefe da Casa Militar, em agosto, a Subsecretaria de Inteligência soube que existiam fitas no Rio que estavam sendo oferecidas com gravações telefônicas envolvendo o presidente da República. Desde então, tanto a representação da Inteligência no Rio como em São Paulo foram acionadas para ficar atentas e saír em busca do material.
Somente no fim de setembro, houve o telefonema e chegou-se às fitas que, desde então, estão sendo analisadas pelo governo. O general revelou ainda acreditar que essas fitas sejam editadas e que tenham sido feitas mais gravações, que ele não têm conhecimento.
Durante a entrevista em novembro, o general explicou que informações como as obtidas em gravações desse tipo são manipuladas por "gangues" que "cobram alto" pelos documentos e fitas e até "matam quando há quebra de sigilo". Para o general, essas gravações são "um caso típico de espionagem industrial".
Alberto Cardoso disse que a fita que contém a conversa de Fernando Henrique com Barros leva a entender que o telefonema foi dado no dia da invasão do BNDES pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O general comentou apenas que o presidente estava querendo saber sobre o andamento das privatizações e admitiu que há comentários jocosos, sem citar, no entanto, quais seriam eles.

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