Curitiba- O Ministério da Saúde está criando uma força-tarefa para o combate à dengue nos estados do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) que congrega Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Ontem, o ministro José Gomes Temporão esteve em Curitiba e afirmou que o aumento de casos da doença se deve à mutação do mosquito Aedes Aegpty. ''Ele está se modificando, se adaptando a situações novas'', observou Temporão, lembrando que os especialistas são unânimes em afirmar que o mosquito tem sofrido mutação genética e está cada vez mais resistente.
Além disso, acrescentou o ministro, a concentração da miséria nas favelas e a desinformação aumentam os casos da doença. ''O Brasil empobreceu. Temos péssima condição de recolhimento de lixo nas cidades, garrafas pet e pneus servindo de armazenadouro do mosquito e das larvas, as condições climáticas. Tudo isso contribui para que a dengue esteja cada vez mais presente no dia-a-dia dos brasileiros'', disse o ministro.
Temporão nega que o avanço da dengue tenha ligação com a falta de recursos do governo federal, já que segundo ele foram feitos os investimentos necessários. Mas admitiu que hoje faltam recursos para a campanha contra a Aids - que precisa ser feita novamente no Brasil para evitar que a doença volte a crescer por falta de educação de saúde.
''Temos que ser realistas. Não teremos uma vacina contra a dengue em tempo curto. O que podemos fazer? Temos que qualificar o atendimento, informar a sociedade, mobilizar as organizações não governamentais e monitorar a doença'', disse. Uma das estratégias é a campanha lançada pelo Ministério da Saúde através da mídia regionalizada, usando músicas que vão do samba ao xote e ao hip-hop.
Nas campanhas educativas do País foram gastos este ano R$ 60 milhões. Está sendo estudando um projeto de lei no governo federal que possibilitaria uma revisão nas concessões de emissoras de rádio e televisão, obrigando que seja dado espaço gratuito para campanhas de educação em saúde. ''É muito caro fazer campanhas. Elas nem deveriam ser pagas. Estamos estudando a possibilidade de mudar isso'', confidenciou.
Das 121 mortes registradas no Brasil este ano, sete foram no Paraná. Dos 439 mil casos notificados 46,4 mil são paranaenses.

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