Ministro critica Unicór por descredenciar médicos e hospitais
São Paulo, 12 (AE) - O ministro da Saúde, José Serra, disse hoje que a empresa de plano de saúde Unicór é "inescrupulosa". Segundo ele, recentes denúncias de consumidores, que alegam que a empresa está descredenciando médicos e hospitais sem pôr substitutos equivalentes, justificam uma intervenção da Superintendência de Seguros Privados. "Se a empresa está sem dinheiro para pagar os médicos e hospitais, que tirem do patrimônio da família Duprat, dona da Unicór, que é muito rica."
A empresa informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a operadora passou por problemas financeiros decorrentes da construção do Hospital Duprat, inaugurado no início do ano no Morumbi, em São Paulo. No entanto, esses problemas duraram apenas alguns meses.
O caso da Clínica de Oncologia David Erlich, em São Paulo, mostra, no entanto, que ainda há problemas financeiros a serem resolvidos. Com três meses de atraso, a clínica renegociou com a Unicór o acerto de contas, que foi dividido em cinco parcelas. Mas na terceira parcela, o cheque no valor de R$ 19 mil não foi pago. O cheque foi reapresentado e, novamente, voltou por falta de fundo. O cheque foi sustado. Um novo foi apresentado, mas também não foi pago.
Catálogo - Quanto ao descredenciamento de médicos e hospitais, a Unicór informou que houve uma reestruturação e um novo catálogo com médicos e hospitais credenciados será distribuído este mês. Já o caso de Vasti Severina de Azevedo, de 31 anos, indica que ainda há problemas com a rede credenciada. Ela teve de pagar o seu parto por falta de um hospital credenciado ao plano na região. Foram R$ 1,7 mil pelo parto e R$ 700 para o obstetra. A família ganha R$ 1,5 reais por mês. "Precisei pedir dinheiro emprestado", disse. "Quero que a Unicór me pague."
Ela é credenciada da Unicór há dois anos e paga mensalmente R$ 47. "Procurei a Unicór quando meu médico me disse, no quinto mês de gravidez, que havia sido descredenciado", disse. "Eles me informaram que eu poderia dar à luz no Hospital Bartira. Quando procurei o hospital, não fui atendida."





