Ministro critica decisão sobre vacina no PR
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terça-feira, 13 de abril de 2010
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, criticou ontem decisão da Justiça Federal que determinou que a União deve adquirir vacinas em quantidade suficiente para que toda a população paranaense seja imunizada contra a gripe A (H1N1). O calendário de vacinação do ministério prevê a imunização de apenas pessoas dos chamados grupos de risco.
''Para suprir a ordem que o juiz do Paraná determinou, eu vou ter que tirar a vacina de alguém que precisa, que está no grupo de risco, que está mais vulnerável, que tem maior probabilidade de adoecer e morrer, para, provavelmente, dar a uma pessoa do Paraná que não precisa'', disse o ministro, em Brasília.
Na segunda-feira, quando saiu a decisão, o Ministério da Saúde já havia adiantado que iria recorrer. A juíza Gisele Lemke concedeu liminar a pedido do Ministério Público Federal. Ela determinou que as doses para atender toda a população do Paraná devem ser adquiridas em até 20 dias a partir da notificação, sob pena de multa diária de R$ 50 mil. A assessoria de imprensa do Ministério da Saúde informou que a pasta foi notificada oficialmente da decisão na manhã de ontem. Já o Governo do Estado deve apresentar novo calendário de vacinação em 10 dias após a intimação.
No despacho, a juíza argumentou que a região Sul do Brasil ''mostra-se mais suscetível à incidência do vírus, uma vez que as características climáticas possibilitam sua maior disseminação''.
Na campanha de vacinação contra a nova gripe, que teve início em março e vai até maio, o Ministério da Saúde estipulou que seriam vacinadas apenas pessoas dos chamados grupos de risco: gestantes, doentes crônicos, crianças de seis meses a dois anos, jovens entre 20 e 29 anos, adultos entre 30 e 39 anos e idosos com doenças crônicas. Esses grupos prioritários foram definidos porque seriam os que apresentaram maiores complicações na primeira onda da doença, no ano passado.
Entretanto, no despacho, a juíza apontou que, segundo dados epidemiológicos de um relatório da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa), os grupos de maior risco de morte no Estado são, em ordem decrescente, a população entre 50 e 59 anos, entre 30 e 39 anos, entre 40 e 49 e entre 20 e 29. ''Observa-se, por conseguinte, que os grupos mais atingidos divergem no Paraná daqueles indicados pelo Ministério da Saúde para o País'', destacou a juíza. Gisele Lemke também mencionou no despacho que a Sesa solicitou aproximadamente 5,4 milhões de doses para vacinar a população entre 50 e 59 anos, entre 40 e 49 e entre três e 19 anos.
Ontem, a Sesa não se pronunciou. Informou que só o faria quando fosse notificada da decisão, o que, segundo a assessoria de comunicação da pasta, não havia acontecido até o início da noite de ontem. No mês passado, quando a campanha de vacinação começou, o então secretário Gilberto Martin manifestou apoio à ideia de que toda a população paranaense fosse vacinada. Mas ele ressaltou que, como gestor, deveria cumprir o calendário de vacinação determinado pelo Ministério da Saúde.
Ontem, estabelecimentos particulares começaram a receber doses da vacina contra a gripe A. O Frischmann Aisengart disponibilizará 10 mil doses a partir de hoje nas três unidades do laboratório na capital paranaense (Batel, Portão e Alto da XV). Segundo a direção do Frischmann Aisengart, a vacina é trivalente: imuniza contra a nova gripe e dois tipos de vírus da sazonal. Qualquer pessoa pode tomar a dose, exceto as que tenham alergia a algum componente da vacina ou a ovo.
O Ministério Público de Goiás também diz que vai solicitar que a vacina esteja disponível para toda a população.


