Ministro critica CPI por quebrar sigilo de assessora
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quinta-feira, 16 de dezembro de 1999
Por Isabel Braga e Tânia Monteiro 
Brasília, 16 (AE) - O ministro da Defesa, Élcio álvares, criticou hoje a CPI do Narcotráfico por aprovar a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico de sua assessora Solange Antunes Rezende. O ministro argumenta que a CPI "não fundamentou" o pedido de quebra do sigilo de Solange "em fatos ou provas" e chegou a dizer que alguns "elementos" da CPI podem estar querendo atingi-lo com essa medida.
álvares negou ainda ter colocado seu cargo à disposição do presidente Fernando Henrique Cardoso. "É o tipo do boato inconsistente." O ministro esteve hoje em duas ocasiões diferentes com o presidente Fernando Henrique Cardoso, mas garantiu que os dois não conversaram sobre esse assunto.
Publicamente, Fernando Henrique demonstrou apreço ao ministro. No Planalto, assessores do presidente encararam a decisão da CPI de quebrar o sigilo da assessora de álvares como "exagerada". Os assessores reconhecem, entretanto, que esse tipo de denúncia "respinga" no ministro da Defesa. Fernando Henrique afirmou por intermédio de seu porta-voz, Georges Lamazire, que o assunto é da alçada do ministro e cabe a ele responder. "O que há é um pedido para quebra de sigilo da assessora do ministro e não se pode prejulgar", disse Lamazire.
SURPRESA - Segundo o comandante da Aeronáutica, Walter Werner Bruer, a notícia envolvendo a assessora do ministro da Defesa causou "surpresa" entre os militares. "A todos houve, não digo constrangimento, mas surpresa", comentou. "A reação foi de espanto pelo fato de aparecer tão claro nos jornais de grande circulação, dando destaque a essa senhora que assessora o ministro", completou.
Brauer disse não poder opinar se a CPI agiu de modo precipitado ao determinar a quebra de sigilo da assessora de álvares. "Eles tem sua maneira de agir e, melhor do que eu, sabem o que fazer", ponderou. Ele comentou ainda que toda pessoa que ocupa cargo público está sujeita a ataques e elogios. "De maneira que a vida pública tem que ser bastante ilibada, transparente, de modo que não deixe dúvidas sobre o procedimento", afirmou.
O comandante evitou opinar sobre o afastamento temporário de álvares do cargo em razão das investigações da CPI. "Felizmente nunca passei por uma situação dessa e. por isso, não posso opinar."
Hoje, o ministro Élcio álvares reafirmou sua "total confiança" na honestidade da assessora Solange, que trabalha com ele há 20 anos, e anunciou que irá mantê-la no cargo. Para o ministro, o fato de um civil estar à frente de um Ministério da Defesa também pode estar desencadeando as acusações contra ele, sua assessora e o irmão de Solange, Dório Antunes.
A CPI pediu a quebra de sigilo de Solange e Dório alegando que os dois conseguiram a libertação de pessoas ligadas ao crime organizado no Espírito Santo. Parlamentares da CPI suspeitam ainda que, nessa época, os dois trabalhavam no escritório de advocacia que pertenceria a álvares. "Com todo respeito que merece a CPI, qualquer tipo de colocação tem que ser feito dentro de um quadro realista de provas", disse. "Se não tiver fatos ela ingressa num terreno difícil de ser examinado, principalmente para mim que sou advogado", acrescentou.
álvares disse confiar no trabalho da CPI e em seu "bom senso". "Eu sou um homem que tem uma compreensão grande do parlamento", disse. "Eu confio na CPI e por confiar na CPI tenho certeza absoluta de que a conclusão vai dizer aquilo que durante esses longos anos de minha vida em Brasília todos aprenderam a ver", completou, lembrando que foi senador por oito anos e nenhuma denúncia foi feita contra ele.
O ministro fez hoje um apelo para que a mídia encontre, no Tribunal de Justiça do Espírito Santo, as ações em que ele ou sua assessora Solange teriam defendido narcotraficantes. "É fácil, é só chamar os nomes dos advogados para ver quais são as ações em favor de narcotraficantes", comentou. "Nunca na vida eu tive a oportunidade de advogar para narcotraficante e para as pessoas que advoguei, na área criminal, eu tinha convicção da sua inocência."


