Ministro chora com relatos da Batalha do Centro Cívico
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sexta-feira, 12 de junho de 2015
Eduardo Simões<br>Especial para a FOLHA 
Curitiba O ministro de Direitos Humanos, Pepe Vargas, ex-articulador político da presidente Dilma Rousseff, chorou em uma audiência pública realizada ontem em Curitiba. Foi durante o relato também emocionado de um estudante de 17 anos que participou do confronto do dia 29 de abril, no Centro Cívico, entre policiais e manifestantes contrários ao projeto de lei que alterou o custeio da previdência dos servidores estaduais. No histórico conflito, 213 pessoas ficaram feridas com a ação policial à base de bombas e balas de borracha.
"É obvio que houve um uso desmedido da força, desnecessário. Não foi adotado o princípio de mediação de conflitos e, consequentemente, houve violação dos direitos humanos", disse o ministro. A audiência começou com a exibição de um vídeo de cinco minutos editado pela APP-Sindicato que mostrava imagens da batalha. Na plateia, alguns professores também não contiveram as lágrimas ao reverem as cenas de violência e entoaram mais uma vez gritos de "fora Beto Richa".
O encontro foi promovido pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), órgão vinculado à pasta chefiada por Vargas, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH-PR), que tem status de ministério. De acordo com o CNDH, a audiência foi solicitada por 20 entidades paranaenses, entre elas a APP-Sindicato, que representa os professores estaduais. A audiência não tem poder deliberativo. O objetivo do encontro é acompanhar o andamento das investigações feitas pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) sobre o ocorrido.
RESPONSABILIDADES
Segundo o procurador de justiça do estado, Olympio de Sá Sotto Maior Neto, o MP já ouviu mais de 300 pessoas sobre o episódio, juntou laudos de corpo de delito, imagens cedidas por veículos de comunicação e está com as investigações avançadas. O objetivo é apurar responsabilidades por possíveis excessos na condução da ação policial. "O MP acompanha também uma ação civil pública de dano moral coletivo e analisa se há responsabilidades criminais ou se houve improbidade administrativa", disse o procurador, que também é coordenador da promotoria de Direitos Humanos. Ele não descartou a possibilidade de o próprio governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), ser responsabilizado caso seja constatada a improbidade, ou seja, atos ilícitos na administração pública.
AUSÊNCIA
Do lado do executivo estadual, o secretário de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Paraná, Leonildo Grota, não compareceu devido a um compromisso "inadiável". A justificativa veio de um assessor especial dele, Maurício Kuehne, escalado para o encontro. Segundo ele, a vontade do executivo estadual é que "tudo aquilo que veio a causar esta lamentável tragédia dentro do estado do Paraná, e que se projetou para o Brasil e para o exterior, seja convenientemente apurado dentro da mais ampla transparência". O evento também teve a participação de representantes dos direitos humanos do município, do deputado estadual Tadeu Veneri (PT) e da senadora Vanessa Grazziotin (PcdoB-AM).


