Londres, 14 (AE-ANSA) - O ministro do Interior britânico, Jack Straw, anuncia amanhã sua decisão sobre o pedido de extradição de Augusto Pinochet feito pela Justiça espanhola para julgá-lo por crimes cometidos durante sua ditadura, entre 1973 e 1990.
Quase seis meses depois de ter chegado à Grã-Bretanha, onde acreditou que seria recebido com honras de chefe de Estado e amparado por imunidade diplomática, Pinochet continua em prisão domiciliar numa luxuosa residência no condado de Surrey, aguardando o anúncio de Straw.
O ministro determinou o dia 15 de abril como prazo final para responder ao pedido do juiz espanhol Baltasar Garzón, que hoje recolheu novas provas incriminando Pinochet.
Garzón recebeu em Madri o testemunho do advogado paraguaio Martín Almada, que também está processando o ex ditador de seu país, Alfredo Stroessner. Segundo ele, Pinochet estaria envolvido na autoria intelectual da Operação Condor, mediante a qual as ditaduras sul-americanas coordenavam a repressão a dissidentes políticos.
Almada descobriu em 1992 o "arquivo do terror". São cerca de cinco toneladas de documentação que "confirmam amplamente que Pinochet é o autor intelectual e material da Operação Condor".
No dia 24 de março, sete lordes da Justiça decidiram que Pinochet não tem imunidade nos casos de crimes cometidos depois de 1988, quando o Reino Unido assinou uma Convenção contra a Tortura, mas que não pode ser processado por casos ocorridos antes desta data.
As especulações sobre a decisão de Straw mostram-se desfavoráveis para o ex-ditador. Analistas britânicos sustentam que desde a primeira vez em que o secretário deu a ordem de "prosseguir" com o processo de extradição, em dezembro, nada mudou substancialmente.
Andy McEntee, presidente do conselho de Anistia Internacional, acredita não haver razões para Straw mudar sua decisão inicial já que "do ponto de vista legal, a decisão deve ser a extradição, pois não há elementos novos que permitam mudar o critério original".
Sonia Pizarro, da Organização Nacional de Exilados Chilenos, somou aos aspectos legais o "tema moral" já que, segundo ela, trata-se de violações aos direitos humanos tão graves que "é necessário estabelecer precedentes".
"Os 43 novos casos de tortura apresentados pelo juiz Garzón devem ser analisados cuidadosamente pelo secretário Straw, disse Pizarro. "É necessário que à luz da decisão dos lordes, que decidiram que Pinochet não tem imunidade, o Reino Unido também tenha uma participação decisiva no processo legal, pois assim o obriga a Convenção contra a Tortura", acrescentou.
Quando os lordes negaram a alegada imunidade para os crimes posteriores a 1988, a equipe jurídica de Pinochet entendeu tratar-se de uma mudança , pois a quantidade de imputações pertinentes tornou-se muito inferior.
Os seguidores de Pinochet centraram sua estratégia para que o ex-ditador fosse enviado ao Chile e buscaram o apoio público de distintas personalidades.
Entre elas, a mais notória foi a da ex-primeira-ministra Margaret Thatcher, que não apenas visitou Pinochet mas agradeceu publicamente a colaboração do governo militar chileno com as forças britânicas durante a Guerra das Malvinas, em 1982.
O ex- presidente norte-americano George Bush, a quem os exilados chilenos querem colocar no banco dos réus a lado do ex- secretário de estado Henry Kissinger, pelo apoio à ditadura chilena, também entrou na campanha a favor de Pinochet.
Um outro argumento nas maõs dos seguidores de Pinochet é a idade avançada do ditador, de 83 anos, e o fato de que, se ele for condenado pelos tribunais espanhóis, ele não será preso por ter mais de 75 anos.
No caso de Straw decidir libertar Pinochet, os advogados espanhóis que levam a causa adiante contam com recursos legais para impedir sua imediata partida para o Chile.

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