Ministro aguarda convite para reunião
Dimitri do Valle
De Curitiba
A assessoria do ministro da Política Fundiária, Raul Jungmann, informou ontem que aguarda um convite formal por parte dos representantes do governo do Estado ou do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para discutir os conflitos agrários no Estado. A vinda de Jungmann ao Paraná foi anunciada na semana passada em encontro entre os líderes sem-terra e o deputado Aníbal Khury (PFL), na época governador em exercício. Jungmann estaria em Curitiba amanhã, mas a agenda do ministro não confirma esta viagem.
Jungmann está em viagem a Nova York e deve passar ainda por Bogotá, na Colômbia, antes de retornar a Brasília na segunda-feira. O ministro sempre esteve aberto ao diálogo e a possibilidade de vir ao Paraná será estudada por ele, basta existir o convite, comunicou a assessoria do ministério. Não é a primeira vez que surgem desencontros para que sem-terra e autoridades se sentem à mesma mesa para negociar. Há três semanas, o MST não concordava em apresentar a pauta de reivindicações ao secretário da Casa Civil, Pretextato Taborda, antes que ela chegasse ao governador Jaime Lerner.
O deputado Aníbal Khury disse ontem que a informação de que Jungmann viria a Curitiba foi passada pelo coordenador do MST, Roberto Baggio. O líder sem-terra negou. Essa informação apareceu na reunião, mas não tenho certeza de quem falou, se partiu dos deputados ou do governo, disse. Baggio falou que só depende do governo do Estado a intenção de apressar as negociações para que o MST retire o acampamento em frente ao Palácio Iguaçu. O ritmo continua normal. A recuperação da praça Nossa Senhora da Salete vai ser concluída em dois dias e se o ministro não vier esta semana, que venha na semana seguinte. A pressa maior é do governo, avisa.
Cinco líderes do MST em São Pedro do Iguaçu, região oeste do Paraná, foram acusados pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) de devastar mata nativa de uma área invadida. O Ministério Público Federal recebeu um dossiê com as denúncias. Roberto Baggio disse que o movimento também denunciou a ação de madeireiros na região, mas o IAP não tomou providências.





