Curitiba - O ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, exonerou ontem dos cargos mais dois funcionários da agência de Curitiba do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) suspeitos de participação num esquema de desvio de recursos no órgão. Com eles, somam oito os afastados das chefias que ocupavam no Paraná desde a última segunda-feira.
Os exonerados ontem são o chefe da área de logística do INSS, Renato Chipanski, e sua substituta imediata, Elisete Araújo Eduardo. Segundo a superintendência regional, os afastamentos foram adotados para que os investigados não atrapalhem as apurações em andamento.
O serviço de inteligência fiscal da Polícia Federal (PF) estima que o rombo inicial seja de R$ 24 milhões, podendo chegar a R$ 168 milhões. O mesmo relatório aponta que os auditores e funcionários teriam recebido propinas de dez empresas, sobre as quais pesa a suspeita de que conseguiram reduzir seus débitos com o órgão e/ou obtido certidões negativas, quando estariam inadimplentes nos compromissos previdenciários. Os exonerados negam qualquer irregularidade.
O presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Previdência Social (Sinfispar), João Alfredo Samways, e o diretor jurídico da entidade, Marcos Eduardo Freitas Rodrigues, estão em Brasília para tratar das exonerações. Eles terão pela manhã uma audiência com o ministro Ricardo Berzoini. O Sinfispar e o Sindicato dos Servidores da Previdência Social (Sindiprev) também organizaram ontem uma manifestação de apoio aos funcionários.
O assunto foi tema de reunião realizada ontem entre os sindicatos, a superintendência do INSS no Paraná e representantes do ministério. A manifestação organizada em favor dos funcionários queria mostrar a solidariedade da categoria com os exonerados. O protesto não surtiu esse efeito. O diretor da Receita Previdenciária, Carlos Roberto Bispo, autoridade máxima entre os auditores fiscais, não veio a Curitiba. Mas o corregedor do INSS, Gilberto Waller Júnior, e o diretor de orçamento, finanças e logística, João Ângelo Loures, apresentaram os motivos para o afastamento.
O Sinfispar e o Sindiprev são contra a forma como ocorreram as exonerações, com ampla divulgação pela mídia.

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