Ministro admite ter usado nome de FHC, PT vai ao TSE
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sábado, 26 de junho de 1999
Por Adriana Fernandes 
Brasília, 27 (AE) - Mais uma vez o nome do presidente Fernando Henrique Cardoso é envolvido em denúncias de tráfico de influência. A denúncia envolve o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, que em discurso na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), no segundo turno das eleições, usou o nome do presidente para pressionar os empresários a votar no candidato do PMDB ao governo, Antônio Britto.
O ministro sugere no discurso aos empresários que, na hipótese de a candidatura do petista Olívio Dutra sair vitoriosa
o Estado seria alijado dos projetos do governo federal. Por intermédio da sua assessoria, o ministro confirmou hoje o conteúdo da gravação, mas negou que o presidente Fernando Henrique Cardoso tivesse autorizado o uso do seu nome na campanha ou lhe passado um recado a ser transmitido aos empresários da Fiergs. Padilha reconheceu que errou ao citar o nome do presidente, afirmando que o fez envolto no "calor" da campanha eleitoral.
No discurso, o ministro afirma que o presidente Fernando Henrique lhe pediu para passar um recado aos empresários: agradecer pelo fato de ter perdido a eleição no primeiro turno no Rio Grande do Sul e que uma derrota do governador Britto no segundo turno "materializaria" uma agenda de "apenas 26 Estados da Federação e não 27". "A única coisa que o ministro se arrepende é ter usado no calor do momento da campanha o nome do presidente", disse um assessor do ministro.
Padilha passou todo o domingo recolhido numa fazenda nos arredores de Brasília, mas recomendou à sua assessoria que enfatizasse o fato de o discurso ter sido feito durante o período que se licenciou do cargo de ministro dos Transportes para trabalhar na campanha de reeleição do governador Antônio Britto. Ele lamentou ainda que a conversa que teve com os empresários gaúchos num encontro reservado tenha vindo a público. Disse também, por meio da sua assessoria, que a sua preocupação naquele momento era que o modelo pregado pelo então candidato Olívio Dutra ameaçasse a economia do Estado, o que segundo ele os "seis primeiros meses de governador petista comprovaram depois".
Justiça - O Partido dos Trabalhadores vai ingressar com representações no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio Grande do Sul e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o ministro Eliseu Padilha e o presidente Fernando Henrique Cardoso. O PT vai acusar o ministro e o presidente de abuso do poder político e de autoridade em benefício da candidatura de Antônio Britto. Vai fazer também representação na Corregedoria do TRE gaúcho contra o ex-presidente da Fiergs, Dagoberto Lima Godoy, por abuso do poder econômico.
Em nota do Diretório Nacional divulgada hoje o PT classifica de "indecentes" as declarações do ministro para conseguir o apoio dos empresários do Rio Grande do Sul. "De nada adianta, agora, o Sr. Padilha admitir que não deveria ter usado o nome do presidente", afirma o texto. "Não só utilizou seu poder de ministro, como também foi autorizado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso", acusa o PT.
O governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, disse que teve conhecimento do discurso do ministro ainda durante o período da campanha e que, agora, a divulgação do seu conteúdo vem provar a "truculência" com a qual o governo Federal está promovendo o desmonte do pacto federativo. Segundo Olívio, a conduta do governo tem feito com que o Rio Grande do Sul seja um dos mais prejudicados.
"Essa conduta se expressa no caso da Ford", atacou o governador. Segundo ele, dois meses antes de a montadora deixar as mesas de negociações sobre construção da sua fábrica no Estado o governo Federal já trabalhava para que a empresa escolhesse outro Estado.


