O ministro das Minas e Energia, José Jorge, admitiu ontem que vai demitir os funcionários da Petrobras apontados como responsáveis pelo acidente na plataforma P-36, na Bacia de Campos, no litoral norte fluminense. Mas eximiu o presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, que na avaliação do ministro irá permanecer no comando da estatal. A série de três explosões provocou a morte de 11 petroleiros e o naufrágio da plataforma.
Jorge assegurou que tudo será feito com base no resultado das investigações em curso. Ele considerou fundamental a informação de que relatórios feitos por funcionários três dias antes do acidente apontavam problemas técnicos e recomendava a interrupção na produção para reparos na P-36.
‘‘Certamente vai ter demissões na Petrobras’’, afirmou. ‘‘Mas isso somente vai acontecer depois da conclusão do relatório da comissão de investigação apontar quais são os culpados. Você não pode tirar conclusão apressada se você conta com uma equipe de técnicos preparada para analisar todos os aspectos do acidente e emitir um relatório.’’
Segundo o ministro, as investigações sobre quais eram os responsáveis pela tomada de decisão de parar a P-36 virão desde o campo petrolífero onde funcionava a plataforma até a sede da companhia, no Rio. ‘‘É preciso saber até onde essas informações deveriam continuar sendo repassadas’’, avaliou.
Para o ministro José Jorge, a informação sobre os boletins vai permitir que se conheça a verdadeira causa das três explosões na P-36 na madrugada do dia 15 de março e apontar quem são os responsáveis pelo acidente. No documento, feito no início da semana passada, eram relatados problemas técnicos e sugerida a interrupção da produção para reparos.‘‘Eu achei que aquele relatório é muito importante porque vai permitir que se defina bem as responsabilidades, ou seja, saber quem foi em, todo o circuito, que tomou a decisão de manter a plataforma em funcionamento.’’
No entanto, o ministro não acredita que o fato impeça a estatal de receber o seguro pela perda do equipamento. José Jorge repetiu várias vezes que a Petrobras deverá ser ressarcida do montante segurado - US$ 500 milhões.
Ontem, o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, José Coutinho Barbosa, disse ontem que o boletim informando sobre o problema de pressurização do sistema de vent da plataforma P-36 foi redigido pelo supervisor de Produção, Hélio Menezes Galvão, e encaminhado ao gerente setorial da plataforma em terra, Claronildo de Covas Santos. Segundo Coutinho, os dois técnicos tinham autonomia para mandar parar a produção da plataforma, caso concluíssem que havia problema sério.
‘‘A Petrobras não pode responsabilizar só os técnicos. A empresa está fazendo poucos investimentos em pessoal e expõe seus trabalhadores a grandes riscos’’, afirmou o presidente do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense, Fernando Carvalho.

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