Ministro acusa governos de negligência
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segunda-feira, 15 de setembro de 1997
Agência Estado Belo Horizonte 
Arquivo FolhaSaúdeCarlos Albuquerque diz que quando um adulto contrai sarampo é porque foi mal imunizado no passado O ministro da Saúde, Carlos Albuquerque, responsabilizou ontem os governos anteriores e os pais pelo crescimento do sarampo no Brasil em 97. São Paulo teve 3.748 dos 5.121 casos da doença registrados no território nacional. Albuquerque afirmou que a maior prova de que houve certa negligência de autoridades sanitárias e da própria sociedade, durante recentes campanhas de cobertura vacinal, é o grande número da doença em adultos. Ele desmentiu que sua esposa tenha contraído sarampo.
Não estou aqui para criticar ninguém, disse. O que estou dizendo é que, quando uma pessoa de 15, 20 ou 25 anos é atingida faz no mínimo dez anos que ela foi mal imunizada. Segundo o ministro, o índice de vacinação no Brasil, desde 1987, ultrapassou em apenas um ano 75% da população de crianças entre seis meses e cinco anos. Isso aconteceu porque as pessoas, os pais, o próprio sistema de saúde como um todo, considerando que o sarampo já não era preocupante, não estavam preocupados com ele.
Albuquerque afirmou que a doença deverá estar controlada em pouco tempo, graças às medidas tomadas pelas prefeituras e Estados, com apoio e fornecimento de vacinas pelo Ministério da Saúde. A previsão tanto dos nossos técnicos quanto da Organização Pan-Americana de Saúde é de que, em breve, o sarampo esteja não erradicado, mas sob controle no Brasil, porque estaremos tomando providências enérgicas em relação à vacinação, o que não vinha sendo feito até agora.
Outro motivo para o ressurgimento do sarampo no Brasil, segundo o ministro, foi a pouca importância dada aos postos de saúde nos últimos anos, em oposição ao que ocorreu com os hospitais de emergência. Os postos de saúde saíram de moda e as emergências é que ficaram na moda, disse. Certamente a ausência de um bom funcionamento nos postos é responsável pelo excesso de demanda nas emergências e co-responsável pela baixa imunização da população, porque nelas não se faz, ou raramente se faz vacinação.
Carlos Albuquerque assinou ontem convênio com o governo de Minas Gerais para o repasse de R$ 8,1 milhões ao Estado. Os recursos, que terão contrapartida estadual e de municípios mineiros, serão usados na compra de equipamentos e treinamento de pessoal, visando o combate ao mosquito Aedes aegypti, trasmissor da dengue. De acordo com o ministro, até o final do ano o governo federal deverá investir R$ 300 milhões, em parceria com outros Estados e cidades, no combate ao mosquito.


