Angra dos Reis, RJ - O ministro de Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, afirmou ontem que o País gasta US$ 6 milhões por ano com manutenção e seguro de equipamentos importados para a usina Angra 3, que estão armazenados em um galpão, alguns desde 1983. Ele defendeu uma decisão rápida do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) sobre a eventual construção da unidade.
''O Brasil já investiu em mais de 70% dos equipamentos necessários para Angra 3. Estamos discutindo no governo um modelo que viabilize a construção da usina, mas a decisão final é do CNPE'', disse Amaral, que acompanhou ontem o Exercício Geral de Resposta à Situação de Emergência na Central Nuclear, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.
O presidente da Eletronuclear, Zieli Dutra Thomé Filho, informou que o País já investiu US$ 700 milhões em Angra 3. Segundo ele, para concluir a usina seria necessário investir mais US$ 1,7 bilhão US$ 500 milhões na importação de novos equipamentos e US$ 1,2 bilhão no País, com serviços e obras de construção. O ministro visitou o galpão onde estão armazenados os equipamentos da usina, a maioria importados há 20 anos da Alemanha.
O Exercício Geral, realizado a cada dois anos, praticamente não teve participação da população local ontem. Amaral visitou a Usina Angra 2 e acompanhou simulações do atendimento de vítimas de um eventual acidente nuclear. O efetivo da Defesa Civil Municipal foi reduzido em 30% em relação ao exercício de 2001.
A sirene acionada para alertar os moradores, simulando um acidente nuclear, não era ouvida em muitos pontos da cidade. ''Até o momento, não identificamos anormalidades no exercício'', disse, no início da tarde, o presidente da Eletronuclear.
''Isso aqui é bobeira. Se tiver que acontecer alguma coisa, não adianta, não dá para correr. Eu não saio de casa, porque não tem jeito. Não recebi nenhum panfleto, ninguém me informou nada sobre esse negócio nuclear. Eles deveriam ter reunido a população'', disse o carpinteiro Jorge Benedito, que mora há 58 anos em Angra dos Reis. ''Angra não tem uma estrada apropriada para emergência. Não é seguro'', afirmou um comerciante do município.

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