A ministra-chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) da Presidência da República, Matilde Ribeiro, esteve ontem em Londrina para participar de aula inaugural do ano letivo na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ela afirmou que, apesar dos questionamentos jurídicos registrados em várias universidades públicas brasileiras, a implantação do sistema de cotas no País está sendo mais tranquila do que se imaginava. ''O clima interno não é de hostilidade nem de conflito, como se pressupunha. Alguns mitos estão caindo, embora ainda enfrentemos muitas dificuldades, entre elas a de se definir quem é negro e quem é branco'', disse.
Ela lembrou que o Brasil conta hoje com 17 instituições, estaduais e federais, onde o sistema já foi implantado ou está em vias de implantação. Além disso, encontra-se em tramitação no Congresso Federal um projeto de lei que prevê a reserva de 50% das vagas das universidades para alunos oriundos de escolas públicas. O sistema adotado pela UEL prevê a reserva de 40% das vagas para egressos de escolas públicas e negros.
Para a ministra, reservar vagas para os negros é uma forma da sociedade começar a pagar uma dívida histórica. ''O Brasil tem hoje mais de 80 milhões de negros e no entanto pouquíssimos têm acesso às universidades públicas e privadas'', disse, lembrando que uma das medidas do atual governo foi a criação do Programa Universidade para Todos (ProUni), que prevê a reserva de vagas para alunos de escolas públicas também nas universidades particulares.
Segundo a reitora da UEL, Lygia Pupatto, o primeiro vestibular com sistema de cotas na instituição surpreendeu pelo baixo número de ações na justiça. Foram registrados dois casos de candidatas cotistas que entraram com ação com pedido de liminar para conseguirem se matricular nos cursos escolhidos. De acordo com pró-reitor de graduação, Jairo Queiroz Pacheco, todo começo de ano letivo a universidade é alvo de medidas judiciais decorrentes do processo seletivo. ''No caso do sistema de cotas, estamos implantando um processo novo e revolucionário, e o recurso à justiça é natural em um espaço democrático'', disse.

mockup