Ministra constata pobreza em São Jerônimo da Serra
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Widson Schwartz<BR>Especial para a Folha 
São Jerônimo da Serra- Motivada pela reportagem e editorial da FOLHA sobre o programa Bolsa-Família que beneficia metade da população de São Jerônimo da Serra (78 km ao sul de Cornélio Procópio), a ministra interina do Desenvolvimento Social e de Combate à Fome, Márcia Lopes, constatou pessoalmente, ontem, que a pobreza no município apresenta números acima dos divulgados pelo jornal.
Embora o Centro de Referência de Assistência Social (Cras), que coordena o programa no âmbito municipal, tenha apresentado à ministra número de famílias beneficiadas (1.196) inferior àquele que forneceu à FOLHA (1.352), o órgão demonstrou que 1.749 famílias desejam ser incluídas. À reportagem o centro informou um total de 960.
Considerando a média de quatro pessoas por família, admitida pelo Cras, a soma das que já recebem o benefício e das ''elegíveis'' corresponde a mais da metade da população do município (7.984). São Jerônimo possui 11.750 moradores.
''Se tem famílias elegíveis, nenhuma deve ficar de fora'', disse a Ministra, respondendo ao prefeito, Carlos (''Carmo'') Sutil, que defende a inclusão. ''Mas o cadastro tem de ser bem feito'', ressalvou.
Embora o programa tome por base a Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílio (Pnad), o Ministério respeita os cadastros dos municípios demonstrando números diferentes, desde que sejam rigorosos, segundo Márcia Lopes. Em São Jerônimo da Serra, as famílias beneficiadas já excedem o limite do Pnad em 4%. ''Temos recursos para incluir, mas temos de ter segurança, que o cadastro seja bem feito'', insistiu.
''Não quero entrar no mérito da reportagem'', disse Márcia Lopes aos prefeitos e gestores do programa Bolsa-Família em São Jerônimo, Santa Cecília do Pavão e Nova Santa Bárbara. Mas ressaltou que o benefício representa ''uma escolha de política social''. Ela discorda da classificação do programa de ''assistencialista'' e de que a anunciada inclusão de jovens de 16 anos se deve ao fato de que têm direito ao voto. ''Infelizmente é notícia da imprensa.''
Sobre a queixa feita do padre Haruo Sasaki, dirigente da Associação Filantrópica Humanitas, de que não consegue 20 mulheres para a cooperativa de costureiras devido à concessão da bolsa-família, a ministra constatou no local a presença de apenas 12 mulheres. O prefeito admitiu que a iniciativa do padre Sasaki ficou isolada, sem a participação de outros segmentos da comunidade até por diferenças políticas. Segundo Márcia, conversando com as mulheres, pôde perceber que há insegurança entre elas.
A ministra destacou que o ''Cras é a porta de entrada do cadastro único (no Ministério), que vai organizando as famílias nos municípios por necessidades diversas''. Com isso, disse ela, será possível fazer um diagnóstico, acompanhar as famílias e motivá-las, no sentido da inclusão produtiva no mercado trabalho. ''Na condição de indutor, o Cras vai atuar em rede com a Humanitas, Apae e outras entidades'', afirmou. Além disso, o Ministério do Desenvolvimento Social tem meios para apoiar projetos de geração de renda que sejam apresentados pelas prefeituras, resumiu a Márcia Lopes.


