Rio, 08 (AE) - Duas semanas após a troca de ataques entre os seus titulares, encerrada por intervenção do presidente Fernando Henrique Cardoso, os ministérios da Previdência Social e da Saúde trabalham juntos na questão das entidades filantrópicas de assistência médica que perderão a isenção tributária. O ministro da Previdência, Waldeck Ornélas, afirmou hoje que os dois ministérios estão fazendo um levantamento junto a entidades privadas que trabalham com o Sistema Único de Saúde (SUS) para informá-las que "têm de fazer sua opção" e apresentar seu plano de trabalho assistencial para o ano.
"O prazo se esgotou no dia 31, mas mesmo assim estamos fazendo o trabalho", explicou Ornélas. "Como muitas entidades não devem ter apresentado sua manifestação, estamos fazendo visitas a essas entidades." O ministro afirmou que está sendo feito um levantamento sobre o sistema, para saber quem saiu e avaliar o tamanho do aumento da receita com o fim das isenções. Segundo ele, um estudo do Ministério da Saúde estimou que há, no Brasil, mais de 1,7 mil entidades filantrópicas na área de saúde
das quais pouco mais de 200 perderão a imunidade tributária.
Ornélas ressaltou que esses números constituem apenas uma estimativa. "A relação nominal só vai existir quando concluirmos esse levantamento", disse. O ministro da Previdência e o titular da Saúde, José Serra, trocaram ataques precisamente por causa da questão. Serra condenou o fim da isenção e foi acusado pelo ministro da Previdência de defender a "pilantropia" (falsa filantropia). Fernando Henrique disse que
se não fossem bons ministros, demitiria os dois por causa da briga, que ocorreu pelos jornais.

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