Brasília, DF- O ministro do Trabalho e Emprego, Ricardo Benzoini, confirmou ontem que as fiscalizações em Minas Gerais estão suspensas. Segundo ele, a secretária de Inspenção do Trabalho, Ruth Vilela, está analisando todos os procedimentos e vai tomar medidas contra eventuais fragilidades detectatas e na própria sistematização das denúncias recebidas.
Benzoini participou ontem da cerimônia de descerramento da placa em homenagem aos três fiscais do Trabalho e ao motorista assassinados na última quarta-feira em Unaí, no saguão de entrada do Ministério do Trabalho.
O delegado regional do Trabalho de Minas Gerais, Carlos Palazans, reconheceu que as ameaças contra o fiscal Nelson da Silva, assassinado em Unaí, foram subestimadas. ''Muitas vezes ameaças passam a ser banalizadas e muitas vezes subestimadas. Isso é o que não podemos fazer mais'', disse. O delegado informou que atualmente dois auditores do Trabalho, Mauro Jaime e Flávio Pena, estão sob proteção e serão transferidos de localidade por terem sofridos ameaças.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu ordens expressas ao ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, para colocar mais fiscais nas investigações de trabalho escravo no País. A ordem foi dada durante ato ecumênico realizado ontem na Catedral de Brasília em memória dos três fiscais do trabalho e do motorista que os conduzia, assassinados quarta-feira passada. ''Se três fiscais incomodaram tanto, a ordem é (pôr) mais fiscais, e incomodá-los muito mais, porque não podemos descansar enquanto houver, neste País, alguém voltando a ser escravo de uma Nação que aboliu a escravidão em 1888'', disse Lula, dirigindo-se a Berzoini.

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