São Paulo - "Não foi nada de muito surpreendente", afirmou ontem o promotor de Justiça Matheus Jacob Fialdini, do Departamento de Infância e Juventude (Deij), sobre as imagens de torturas a jovens da Fundação Casa (ex-Febem) exibidas no domingo pelo Fantástico, da TV Globo. Segundo o promotor, semanalmente chegam denúncias semelhantes ao Ministério Público, à Defensoria e à Justiça.
Nas imagens da TV, gravadas dentro da unidade João do Pulo, no Complexo Vila Maria, na zona norte, os funcionários dão socos, tapas, pontapés e cotoveladas em pelo menos seis adolescentes, que estão apenas de cuecas, acuados em uma sala da unidade. As imagens foram gravadas em 3 de maio.
Em junho, Fialdini havia visitado a unidade e recebeu informações de maus-tratos, mas teve dificuldade em obter provas. O promotor Wilson Tafner, que durante 11 anos atuou na Vara da Infância e Juventude, afirmou ontem que mudou o procedimento de tortura por parte dos funcionários, o que dificulta a apuração dos crimes. Ele declarou que até 2009 a violência era mais explícita, com uso de barras de ferro e paus com pregos na ponta. "Atualmente, eles batem em partes do corpo que não deixam marca", disse. Para lidar com a dificuldade na obtenção de provas, a tática usada pela promotoria é mapear as unidades e os funcionários que mais concentram essas reclamações para tentar tomar medidas na Justiça.
Nesta segunda a Fundação Casa afastou o quinto acusado de participar da sessão de tortura na Vila Maria. Outros quatro já haviam sido afastados no dia anterior.

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