Curitiba - O promotor mineiro Rodrigo Sousa de Albuquerque, integrante do Grupo Nacional do Combate ao Crime Organizado, disse ontem em Curitiba que todos os setores governamentais e judiciários estão se unindo para combater o funcionamento de casas de bingo e máquinas caça-níqueis no Brasil. De acordo com ele, o jogo é conhecido como um dos maiores canais para lavagem de dinheiro do narcotráfico, tráfico de armas e contrabando. ''A lavagem de dinheiro é o segundo melhor negócio do mundo. Um quarto do dinheiro que circula no mundo é sujo. Só perde da indústria do petróleo'', enfatizou.
Uma análise realizada pelo grupo, que concentra o Ministério Público de todo o Brasil e a Procuradoria da República, mostrou que as cartelas de bingos geram lucro de R$ 1 milhão por mês às casas de jogos. A sugestão do promotor é cassar a licença para que as casas de bingo sejam consideradas como ''empresas''. ''Como os bingos são ilegais, eles não podem existir como empresas. Eles precisam ser liquidados. Estamos convocando uma ação total para acabar com eles'', complementou.
A ação total vai ter o apoio do Corpo de Bombeiros (fiscalização do prédio), prefeituras (para cassar alvarás concedidos anteriormente), Ministério Público, Receita Federal, Polícia Federal, Polícia Civil, Justiça e governos de Estado. ''Os estados precisam se agilizar e se organizar para impedir o crescimento do crime organizado que está em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e em todas as cidades brasileiras. Por menor que elas sejam. Onde tiver dinheiro, tem crime organizado'', revelou.
Para agir contra a organização dos criminosos, o grupo que foi criado há pouco mais de um ano foi dividido em três frentes de trabalho: combustível (adulteração e cartéis), lavagem de dinheiro e crimes contra a ordem tributária, criminalidade no sistema prisional. ''É bom que todos saibam que o PCC (Primeiro Comando da Capital) está no Paraná, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais. Temos que isolar os líderes dessas facções criminosas e acabar com a corrupção da polícia, de diretores de presídios e agentes penitenciários.
O grupo está fazendo um glossário para decifrar a linguagem do preso. Nas conversas telefônicas, o tráfico de drogas é sempre disfarçado com verbetes e palavras conhecidas pelas facções criminosas. ''Para o leigo, as palavras não dizem nada'', disse Albuquerque. O trabalho dos promotores começou após o assassinato do promotor mineiro Francisco José Lins do Rego Santos, em janeiro de 2002. Ele estava investigando a máfia do combustível adulterado na região. Ele chegou a desbaratar uma rede de postos de gasolina com indústria química (que fazia a adulteração) e transportadora (que levava o combustível para os postos).
A próxima reunião do grupo, que acontece semestralmente, está marcada para os dias 29 e 30 de maio, em Curitiba.

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