Ministério Público pede suspensão de corte de árvores para obra do metrô em SP


TAYGUARA RIBEIRO
TAYGUARA RIBEIRO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Ministério Público de São Paulo pediu a suspensão do corte de cerca de 365 árvores em uma praça no Jardim Têxtil, na Vila Formosa, zona leste da capital paulista, onde deverá ser instalado um canteiro de obras como parte da ampliação da linha 2-verde do metrô.

Segundo os moradores da região, o Metrô não consultou a população sobre as obras na praça Mauro Broco, que faz parte do parque Linear do Córrego Rapadura. O empresário Bruno dos Santos Augusto, 37 anos, conta que algumas pessoas que moram na região receberam cartas da companhia, poucos dias antes da data marcada para o início das obras.



"Não teve participação em nada, nenhuma discussão conosco. Muraram tudo. Uma área verde grande e um muro no meio dela. Como uma obra desse tamanho chega e ninguém é consultado? Não tem uma consulta pública", desabafa.

"A desculpa que nos deram é que não falaram conosco por conta da pandemia. Não nos apresentaram um estudo de ruído, a real dimensão das valas, não sabemos se isso irá impactar nas estruturas de nossas casas", afirma o empresário.

Ele ressalta que os moradores da região são a favor da chegada do metrô, mas acreditam que seria possível instalar o canteiro de obras em uma industria desativada que existe no bairro. "Não queremos perder as árvores do nosso parque", diz Bruno.

Além das árvores, o local tem um córrego no meio da praça, um parque infantil, um campo de futebol e uma elevação que permite aos visitantes ter uma vista panorâmica da região e observar o nascer ou o por do sol.

A previsão é que seja construída uma estação cerca de 500 metros de distância da praça. O local, além de canteiro de obras, também serviria para a construção de um estacionamento subterrâneo para os trens.

Os moradores criaram um abaixo-assinado que já conta com mais de 5.000 assinaturas e se organizaram em um grupo com a participação de engenheiros, biólogos e advogados para tentar barrar a retirada das árvores.

O promotor de Justiça do Meio Ambiente Ivandil Dantas instaurou um inquérito civil no dia 19 de agosto para apurar o caso. Ele solicitou a visita de um perito do MP (Ministério Público) ao local para avaliar a situação. Segundo a Promotoria, também foram encaminhados ofícios ao Metrô solicitando informações e aos órgãos que cuidam das questões ambientais.

"Por cautela, o promotor encaminhou recomendação ao Metrô para suspender a execução da obra no local até que se esclareça melhor os fatos e, se for o caso, que se encontre uma solução que melhor atenda ao interesse público", afirma o órgão. Segundo o MP, o Metrô tem autorização para o corte de ao menos 100 árvores.

A biomédica Daniela Félix, 44 anos, também moradora da Vila Formosa, diz que vive na região há 13 anos. Segundo ela, na praça existe um grande movimento de crianças e muitas pessoas andam de bicicleta no local, que é mais procurado pela manhã, no fim do dia e aos finais de semana.

"Meus filhos cresceram aqui. É uma área verde grande, pessoas de outros locais da cidade também frequentam", diz. "A população não foi chamada para debater o tema", reclama.

OUTRO LADO

O Metrô afirma que está prestando todos os esclarecimentos ao Ministério Público, "assim como já tem feito com a comunidade". Segundo a companhia, "a obra só será iniciada após essa etapa".

Em nota, o Metrô diz que "todas as obras são feitas com estudos e licenciamentos ambientais aprovados pelos órgãos competentes, trazendo inúmeros benefícios à população".

Segundo o Metrô, as obras de ampliação vão acrescentar 8,3 km de extensão e oito novas estações à linha, "redistribuindo o fluxo de passageiros na rede e melhorando os deslocamentos na região leste".

A proposta da companhia é que a linha 2-verde saia da estação Vila Prudente e chegue até a Penha, conectando-a com a linha 3-vermelha, ambas estações na zona leste da capital paulista. Quando concluída a ampliação até Penha, a linha 2-verde terá 23 km de extensão.

As novas estações da linha serão Orfanato, Água Rasa, Anália Franco, Vila Formosa, Guilherme Giorgi (estação mais próxima da praça Mauro Broco), Nova Manchester, Aricanduva e Penha. Entre as estações Vila Formosa e Guilherme Giorgi será construído o estacionamento de trens Rapadura (que ficaria embaixo da praça Mauro Broco).

"Com o novo trecho, será possível transportar diariamente cerca de 300 mil pessoas a mais na linha 2-verde, promovendo a conexão direta com as linhas 3-vermelha, 11-coral (CPTM) e 15-prata (monotrilho), além de facilitar o trajeto de quem vem da zona leste com destino às regiões da Paulista, sul e sudoeste da capital", afirma a companhia.



O Metrô afirma que ainda não existe previsão para a entrega das estações da linha verde.

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