A promotora Caroline Guzzi Zuan Esteves pediu nesta terça-feira (5) que o juiz da 4ª Vara Criminal de Londrina, Luiz Valério dos Santos, condene quatro pessoas pela morte do policial aposentado Ernani Euzébio da Silva, 55 anos, em 14 de janeiro de 2018 na rua Irene Perine Acquarole, jardim Santa Alice, zona leste. Ela quer que Eugênio Rodrigues Rocha, Hélio Júnior da Silva Campos, João Felipe Cardoso Rodrigues e Willian de Oliveira respondam em regime fechado por latrocínio e roubo majorado, mas que sejam absolvidos do crime de associação criminosa armada.

Imagem ilustrativa da imagem Ministério Público pede condenação de quatro por morte de PM aposentado
| Foto: Divulgação



Para o Ministério Público, "as consequências foram gravíssimas, eis o abalo psicológico e emocional sofrido pela esposa da vítima. O latrocínio, normalmente, acarreta uma desestabilização aos familiares. As circunstâncias também são graves pelo horário que o delito ocorreu (perto das 21h). Influi, sem dúvida nenhuma, na gravidade do fato concreto, pois é fator facilitador da impunidade, vez que dificulta o reconhecimento e facilita a fuga". As defesas poderão apresentar suas ponderações no processo criminal.

Testemunhas a favor, de acusação e todos os réus foram ouvidos em audiências realizadas entre 16 e 17 de janeiro no Fórum. Segundo a Polícia Civil, havia um quinto participante do assassinato do subtenente. Ederson Cristiano Euflásio da Cruz morreu em um possível confronto com policiais do Pelotão de Choque do 5º Batalhão no jardim São Jorge, região norte. Na época, a PM informou que o rapaz estava com uma submetralhadora caseira. Os três disparos atingiram o tórax e cotovelo do rapaz.

Durante o inquérito, foi constatado que Silva conversava com um vizinho em frente ao portão da casa, que estava entreaberto. Foi então que ele teria sido abordado por Cruz e Oliveira. Armados, eles renderam o militar e o outro homem. Enquanto isso, Rodrigues aguardava o desfecho do assalto em um Ômega vermelho, estacionado perto da residência. A polícia informou que o proprietário do imóvel chamou pela esposa, que foi até o portão e juntou-se ao marido e o PM, ainda sob domínio dos criminosos.

De acordo com a denúncia, Willian Oliveira conseguiu render mais duas jovens, uma adolescente e quatro crianças de cinco, sete e 10 anos que estavam dentro da casa. Ederson Cruz ainda vigiava o policial aposentado, que estava armado com uma pistola calibre 380. Para a Polícia Civil, João Felipe Rodrigues teria saído do Ômega e subtraído a carteira e um celular de Silva. Após a troca de tiros, ele e Ederson fugiram. O PM aproveitou a situação e tentou socorrer os jovens trancados em uma das dependências.

Oliveira, ao notar a vítima chegando, teria atirado três vezes. Após o confronto, ele abandonou o revólver no local do crime. Conforme a apuração, Eugênio Rocha seria o responsável por planejar a fuga dos envolvidos no latrocínio.

O que dizem os citados

O advogado de Hélio Campos, Alessandro Rodrigues, disse "respeitar, mas discorda do entendimento do MP. Um pedido condenatório deve vir lastreado de elementos probatórios fortes e induvidosos, estes que, em relação ao meu cliente, são inexistentes".

O advogado de Willian Oliveira, João Victor Marques Soares, comentou que só iria se manifestar nos autos.

A advogada de Eugênio Rocha, Patrícia Almeida, diz que a defesa está convicta da "improcedência total da ação penal, tendo em vista que após toda a instrução processual restou comprovado o não envolvimento do mesmo nos fatos da acusação. Saliente-se que nenhuma conduta ilícita do acusado restou comprovado. Diante disto, forçoso é convir que a absolvição é medida que se impõe".

Atualizada às 14h40

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