Brasília, 01 (AE) - O Ministério Público Federal encaminhou hoje à procuradoria no Rio de Janeiro uma representação do PT contra o presidente Fernando Henrique Cardoso e o economista Francisco Gros, nomeado para a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). A ação do PT, assinada pela liderança do partido na Câmara, argumenta a falta de "idoneidade moral e reputação ilibada" do novo dirigente do banco com base na denúncia de que o BFC Banco S/A, do qual foi sócio, deve ao BNDES R$ 32 milhões e pelo fato de ele ser réu em ação judicial que determina a indenização dos prejuízos causados pela instituição aos seus clientes.
O procurador Luiz Franscisco de Souza, que recebeu a representação, disse que Gros não preenche os dois quesitos básicos para comandar o BNDES: adimplência e não ter participado de instituição que foi à falência. Com a representação, o PT quer tentar impedir a posse de Gros, marcada para amanhã em Brasília.
Hoje, depois de uma visita de cortesia ao presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), Gros afirmou que não se sente "desconfortável" para assumir o comando do banco e garantiu que não participará de eventuais negociações entre BNDES e credores com os quais tenha ligação. "Não participei antes, não participo e não vou participar de qualquer negociação que possa refletir um conflito de interesse".
Questionado sobre se é possível não envolver-se nas negociações estando a frente da instituição, Gros disse que o presidente do BNDES não participa de todos os assuntos do banco. Segundo ele, o problema será encaminhado com "total transparência e revelação para a opinião pública". Ele esteve ainda com o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP). O líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), que acompanhou a visita do economista ao Senado e à Câmara, disse que o presidente deve ter sido informado sobre o assunto, antes de nomeá-lo para a presidência do BNDES.
"O presidente do Senado disse a Francisco Gros que ele vai repetir o desempenho de Armínio (presidente do Banco Central
que foi acusado pela oposição de ter ligações com o sistema financeiro internacional)", disse Virgílio.