Ministério Público e Polícia podem perder aliado com fim da CPI
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de junho de 1999
Por Paula Pereira 
São Paulo, 08 (AE) - Encerrada a CPI dos Fiscais, o Ministério Público Estadual (MPE) e a Polícia Civil perderiam um importante aliado no desmantelamento da máfia na Prefeitura e a velocidade das investigações tenderia a diminuir. Até hoje, a CPI havia expedido 393 ofícios e ouvido, em 375 horas de trabalho, 134 depoimentos registrados em 26 mil páginas. Já foram instaurados quase 30 inquéritos, presas cerca de 150 pessoas (incluindo um vereador), indiciadas 160 (três vereadores e um ex-secretário), denunciadas 45 e condenada, uma.
"O ritmo da CPI acaba puxando o nosso, porque eles têm um prazo", afirma o delegado Romeu Tuma Júnior. "Acabando, seguiremos os prazos da Justiça." Para ele, o caráter público dos depoimentos apressa as oitivas da polícia, pois as informações divulgadas podem atrapalhar as investigações. Ele afirma que a CPI não está "a reboque" da polícia e do MPE, como argumentam os governistas que lutam para enterrar a comissão.
"Começaram investigações que ainda não iniciamos e contribuíram com informações importantes", disse. "O Nelson Augustaitis (camelô da Sé), por exemplo, não contou tudo à polícia, mas falou à CPI e o chamamos de novo." Graças a isso foi possível a apreensão de canhotos de cheques de propina que são "excelentes provas materiais" contra o deputado Hanna Garib, segundo Tuma Júnior.
As investigações permitiram indiciar os vereadores Vicente Viscome e Maeli Vergniano (sem partido) e José Izar (PFL), que podem ser cassados, e, do alto escalão do Executivo, o ex-secretário das Administrações Regionais Alfredo Mário Savelli. Também levantaram indícios contra os vereadores Cosme Lopes, Dito Salim e Wadih Mutran (PPB); Armando Mellão e Faria Lima (sem partido); Bruno Féder (PTB); Maria Helena e Viviani Ferraz (PL); Toninho Paiva (PFL) e Osvaldo Enéas (Prona).
"Quanto mais gente ajudar a investigar, melhor", avalia o promotor Gilberto Leme Garcia. Segundo ele, várias denúncias estão suspensas por falta de profissionais que investiguem. Garcia acredita que o fim da CPI criaria um "efeito negativo" porque o descrédito geral desencorajaria testemunhas e vítimas a depor.


