Ministério Público é chamado a participar de investigação
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de maio de 1999
Por Milton da Rocha Filho 
São Paulo, 15 (AE) - O Juiz Urbano Borges, da 6ª Vara Cível, responsável pela concordata das Lojas Arapuã pediu ao Ministério Público, para que localize onde foram parar R$ 235,4 milhões informados nos autos da concordata daquela companhia, na página 4.339, como realizável a longo prazo e que em documentos subsequentes não consta mais. A confirmação do pedido do juiz foi feita por advogados de empresas credores e que não aceitaram a solução que se deseja dar para Lojas Arapuã, revelada durante a semana.
Pelo acordo, cuja proposta foi entregue ao juiz e que segundo os advogados da Arapuã, tem a adesão de 70% dos credores
há a transformação da dívida em debêntures conversíveis em ações e também a formação de uma Companhia de Propósitos Especiais que absorveria as dívidas da atual Arapuã. Seria criada uma Arapuã 2, saudável, sem problemas e que passaria a gerir as 208 lojas que a rede tem no País.
A Evadin que se considera o maior credor individual da Arapuã, R$ 82 milhões, não foi consultada sobre o plano de reestruturação das Lojas Arapuã, segundo o seu diretor superintendente, Antônio Martins Lima. "Tomamos conhecimento do assunto através da Imprensa", disse Lima. "Nós acreditamos na Lei e queremos que a legislação seja cumprida no caso da concordata. Outros credores também não foram consultados e a adesão não deve chegar a 60%. Pelo que sabemos". Para Lima, "tudo está muito confuso nessa história da Arapuã 1 e Arapuã 2. Queremos que a Lei da Concordata seja cumprida. Há também um sem número de pequenos credores que devem ser respeitados".
Ele explicou ainda que quando a Arapuã pediu a concordata informou preliminarmente que ela era de R$ 650 milhões, "Prometeu que entregaria à Justiça um balanço em um mês, o que foi feito. O valor foi para R$ 790 milhões. E agora, já está em R$ 929 milhões".
Um documento com os nomes de alguns credores com o porcentual dentro do total das dívidas, também está deixando preocupadas as empresas que não aderiram ao acordo , pois aparece entre eles empresas da própria Arapuã, que admitia não haver dívidas de mutuo, isto é, dívida entre suas próprias empresas. A relação é a seguinte: CCE, 10,2%; Sharp, 8,7%; Multibrás, 8,6%; Gradiente, 4,1%; Banco Fenícia, 4,0%; Arapuã International, 3,8%; Merril Lynch, 3,4%; GE Dako, 3,3%; Itautec Philco, 3,1%; Electrolux, 2,8%; BS Continental, 1,7%; Banco Itaú
1,4%; Itaú Bankers Trust, 0,5%; Capital Tecnologia, 0,1%; Grupo Bradesco, 1,2%; o que dá um total de 56,9%. Merril Lynch surge agora como credora, porque a Arapuã não honrou um empréstimo internacional, ficando em default.


