O promotor criminal Thiago Gevaerd Cava, de Ibiporã, visitou a cadeia pública da cidade na semana passada e classificou a estrutura do local como "extremamente precária". A unidade, assim como várias da Região Metropolitana de Londrina, permanece superlotada. São 145 pessoas em um espaço para 40. Cava afirmou que a vistoria não foi motivada pelo vazamento nas redes sociais de um vídeo que evidencia o número excessivo de detentos.

Segundo o promotor, as primeiras providências devem ser adotadas nos próximos dias. "Vou verificar se os presos que cometeram crimes menos graves podem ter direito a liberdade provisória", disse. Condenados em outros processos também passarão pelo crivo do Ministério Público, que irá averiguar a possibilidade da Justiça aplicar algum benefício a esses réus.

Na visita ao presídio, anexo à delegacia de Polícia Civil, Cava constatou que os detentos ficam em um local "quente, abafado e com pouca luz. Na maioria das vezes, a pessoa fica presa pela gravidade do delito, o que complica ainda mais a trágica situação. Eles (presos) me disseram que, se o sistema não melhorar, não vão deixar mais ninguém entrar", pontuou.

O promotor também irá revisar o que não foi cumprido pelo governo estadual após a interdição da cadeia, determinada pela juíza Camila Covolo de Carvalho em julho de 2015. Segundo o despacho, o local deveria funcionar com 90 presos provisórios, sendo 65 homens e 25 mulheres.

Em Cambé, o cenário é semelhante. No começo de janeiro, a Justiça ordenou a remoção de alguns presos, mas a medida não foi totalmente cumprida. A VEP (Vara de Execuções Penais) informou que não há vagas suficientes nas penitenciárias da região. A cadeia da cidade foi alvo de uma fuga no final de dezembro. A Polícia Civil suspeitava do risco de desabamento da estrutura após a rebelião, o que foi descartado em uma vistoria da Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística.

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