Ministério pede ajuda no combate à aids
Para o setor de saúde, carregar o fardo da prevenção à doença está muito pesado e pode ser dividido entre governos e sociedade civil
Agências Folha
e Estado
Do RioO Ministério da Saúde não quer mais carregar sozinho o fardo da prevenção à aids e ao uso de drogas ilícitas, especialmente entre os jovens. Quer o empenho efetivo de outros ministérios, de órgãos públicos estaduais e municipais, e de entidades não-governamentais e privadas, de todas as instâncias. O pedido não é novo, mas desta vez constou de uma Agenda de Compromissos Políticos devidamente assinada durante o congresso de prevenção à aids realizado esta semana no Rio.
É um movimento de mobilização social para ações preventivas, disse Pedro Chequer, da coordenação nacional de aids do Ministério da Saúde. Nessa cruzada, terão lugar de destaque o Ministério da Educação, Estados, o Conselho Empresarial Nacional e as ONGs. Por enquanto, tudo não passa de uma agenda de compromisso.
O fato é que, até agora, a aids tem sido vista como problema exclusivo de saúde, quando envolve comportamento e educação. Sabe-se, por exemplo, que há resistências até mesmo dentro do MEC com relação a programas voltados para sexualidade e uso de drogas. O congresso do Rio terminou com o anúncio do Fórum 2000, um encontro científico e de prevenção que pretende reunir especialistas de toda a América Latina e do Caribe. O encontro acontece em outubro, no Rio.
Durante o congresso também foi anunciado que o índice de contaminação pelo vírus da aids entre jovens das regiões Norte e Centro-Oeste é mais do que o dobro do registrado no Rio e em São Paulo, conforme mostra estudo do Ministério da Saúde e do Exército. Trinta mil rapazes, com idade entre 17 e 21 anos, que se alistaram para prestar serviço militar em 1998, foram ouvidos. Vinte e nove mil fizeram exame de sangue para detectar o vírus. O trabalho Comportamento de Risco dos Conscritos do Exército, considerado um dos mais completos sobre o comportamento sexual dos jovens brasileiros, confirma que a epidemia está se expandindo nas região Norte e Centro-Oeste do País.
O índice de contaminação a cada mil alistados nestas duas regiões é de 1,94 enquanto no RJ e em São Paulo, é de 0,81. Entre os alistados do Sul, o índice é de 1,24. O Ministério da Saúde tem o número de doentes e isso reflete os infectados de 10 anos atrás; o trabalho mostra o número de jovens que está infectado agora, mas não adoeceu, diz a pesquisadora da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), Célia Landmann Szwarcwald, que analisou os questionários.
Em 1998, 800 mil jovens se alistaram para cumprir o serviço militar obrigatório. Os pesquisadores selecionaram moradores dos Estados onde as notificações de aids aumentaram entre 1990 e 1995: Rondônia, Amazonas, Pará, Tocantins e Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Rio de Janeiro e São Paulo, onde a doença está estabilizada, serviu de grupo de controle.
Para Célia, o fato de entre os jovens do Norte e Centro-Oeste a contaminação ser duas vezes maior do que no RJ e São Paulo indica que as campanhas de prevenção não abrangem o País todo. É preciso campanhas específicas para essas regiões do Brasil, argumenta.





