Ministério nega responsabilidade por desmatamento
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segunda-feira, 21 de maio de 2001
De Brasília 
O Ministério do Desenvolvimento Agrário não aceita ser responsabilizado pelo aumento do desmatamento na Amazônia e vai pedir cópia do estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para verificar a expansão da área desmatada em assentamentos. O estudo do Inpe, divulgado na semana passada, estimou crescimento de quase 20 mil quilômetros quadrados na área desmatada na Amazônia, entre agosto de 1999 e de 2000. A secretária de Coordenação da Amazônia do Ministério do Meio Ambiente, Mary Allegretti, atribuiu a culpa também a outros setores do governo, entre eles o Ministério do Desenvolvimento Agrário, a responsabilidade pelo crescimento da derrubada da floresta.
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) sustenta que os assentamentos na Amazônia estão localizados, em sua grande maioria, fora das áreas de desmatamento verificadas pelo Inpe. O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento Agrário, José Abrão, disse não aceitar que se culpe os assentados pelos desmatamentos.
Em crítica direta ao Ministério do Meio Ambiente, Abrão afirmou que os erros não podem ser setorizados dentro do governo. Tantos os erros quanto as vitórias do governo, disse, devem ser compartilhados pelos diversos setores da administração pública. O ministério informou que em 1999 divulgou a Portaria 88, que proíbe o uso, para reforma agrária, de terras em áreas de cobertura florestal na Amazônia, na Mata Atlântica e no Pantanal.
A assessora especial do ministério para assuntos ambientais, Marília Marreco, que foi presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), acredita que as principais causas do desmatamento na Amazônia estejam vinculadas à agricultura de exportação, que ocupa grandes áreas na região, e à maior pressão da indústria madeireira sobre a floresta, que a cada ano aumenta sua área de exploração de madeira. (A.E.)


