Ministério mantém proibição para exportação de gado do Pará
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quarta-feira, 02 de fevereiro de 2000
Por Carlos Mendes 
Belém, 02 (AE) - O Ministério da Agricultura continua proibindo que o gado bovino do Pará- Estado que detém o sétimo maior rebanho do País- cruze as divisas para ser vendido no centro-sul do Brasil. O problema ainda é a febre aftosa, que fez o ministério colocar o gado paraense na categoria de "risco desconhecido", desde meados do ano passado.
Durante audiência ontem (01) com senadores da bancada amazônica, o ministro Pratini de Moraes disse que não tinha condições de revogar a proibição, pois se isso viesse a ocorrer o governo federal assumiria a responsabilidade pelas consequências de seu gesto. Segundo ele, técnicos do ministério visitaram dez municípios paraenses na segunda quinzena de janeiro, comprovando que a situação do gado em algumas áreas ainda é crítica.
Se o Pará quiser voltar a ser um dos maiores exportadores de gado do país, segundo o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos Oliveira, terá de tomar algumas providências, como vacinar todo o rebanho, fazer fichas de seus animais e implantar um serviço veterinário com atuação permanente nas fazendas.
Para Oliveira, essas ações terão que ser uniformizadas nas diversas regiões do estado. O tamanho do Pará, mais de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, dificulta esse trabalho. Ele observou que em algumas regiões o combate à febre aftosa avançou muito mais do que em outras.
O senador Ademir Andrade (PSB-PA) critica a decisão do ministério, afirmando que ela está "promovendo desemprego em massa no setor". Pecuaristas também demonstram sua indignação, acrescentando que o abate sofreu redução de 40%. Eles estimam os prejuízos em mais de R$ 10 milhões. Há 230 mil pessoas empregadas no setor em todo o Estado, que possui 9 milhões de cabeças de gado bovino.
O secretário de Agricultura do Pará, Wandenkolk Pasteur Gonçalves, disse que vai propor ao ministro a criação de um "corredor sanitário para que a carne desossada possa ser exportada do sul paraense para o sul e sudeste do país". Até maio, ele acredita que aquela região sairá da categoria de "risco desconhecido" para a de "risco médio".


