Ministério do Turismo quer recolher R$ 100 milhões de bingos
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quinta-feira, 15 de abril de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 16 (AE) - As cartelas de bingo terão novo controle a partir do segundo semestre de 1999, o que permitirá uma injeção de até R$ 100 milhões por ano no orçamento do Ministério de Esporte e Turismo. A arrecadação será toda destinada a investimentos no esporte. A informação foi dada hoje pelo ministro de Esporte e Turismo, Rafael Greca, que fez palestra na Federação das Associações Comerciais/RS (Federasul).
"Se eu fiscalizar bem os bingos posso arrancar entre R$ 70 milhões e R$ 100 milhões por ano", calculou Greca. Sete por cento do faturamento dos bingos deve rumar para o Ministério e ser reinvestido em atividades esportivas, de acordo com a legislação. "Posso vender as cartelas na Caixa Econômica Federal e quem comprá-las já deixará o dinheiro para o esporte"
comentou. Na avaliação do Ministério, como o controle atual, repassado para órgãos estaduais, é "ruim", a nova fiscalização será assumida pela CEF. Acredita-se que existam três mil bingos estabelecidos no País, sem contar os volantes, que funcionam em feiras, clubes etc.
A secretária-executiva do ministério, Teresa Castro, explicou que o monitoramento também poderá acontecer através de numeração e selos. Ponderou que, na sua maior parte, os bingos funcionam bem e tem ajudado as entidades desportivas. Mas a fiscalização, originalmente do Instituto Nacional do Desenvolvimento do Desporto (Indesp), não funcionou.
Segundo a secretária-executiva, o repasse desta atribuição às secretarias estaduais da fazenda resultou em controle "muito pequeno" da movimentação de dinheiro. Sobre a implantação de cassinos no País, Greca disse que, se o jogo voltar a ser liberado no Brasil, só admitirá a instalação das casas longe dos grandes centros, em regiões necessitadas de investimentos. "Talvez em Juazeiro do Norte, talvez em Rondônia", exemplificou. "Só valeria se gerasse muito emprego e renda", sublinhou. "Um projeto tipo Las Vegas no sertão do Brasil seria interessante", ilustrou.
Ao tratar dos festejos do 500 anos do descobrimento do Brasil, o ministro avisou que irá remover o camelódromo existente no arraial da Coroa Vermelha, na Bahia, cenário da chegada de Pedro álvares Cabral ao País em abril de 1.500. "Vou tirar aquilo de lá", enfatizou, prometendo que trabalhará para "um erguimento social dos índios" da região. Os ambulantes serão transferidos para o terminal turístico fora da área indígena. "Antes do santuário haverá o pátio dos vendilhões do templo, que nem o de Jerusalém", comparou.
A seu ver, o serviço e o emprego não são incompatíveis com a beleza e a visitação turística. "O Brasil não tem que esconder ou mostrar os seus pobres. Tem que promovê-los", propôs. "Por exemplo, meninos de rua podem ser contadores de história", citou.


