Ministério do Trabalho liberta 150 trabalhadores escravos no PA
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de março de 1999
Por Carlos Mendes (especial para a AE) 
São Paulo, 22 (AE) - Fiscais do Grupo Móvel do Ministério do Trabalho e agentes da Polícia Federal (PF) no Pará libertaram hoje pela manhã mais de 150 trabalhadores que eram mantidos em regime de escravidão, na Fazenda Maciel II, em São Félix do Xingu, no Sul do Pará. Eles estavam há três meses trabalhando na derrubada de 7 mil hectares de floresta, sem receber qualquer espécie de pagamento.
Os trabalhadores disseram que foram contratados pelo gerente da fazenda, Antonio Avelino, que fugiu. A comida era racionada e eles dormiam na própria mata, em barracas de lona.
Cerca de dez trabalhadores estão com malária. Outro caiu de uma árvore, quebrou o pé, mas há três dias não recebe qualquer atendimento médico.
"Os seguranças disseram que, se eu fugisse, ía virar peneira, todo furado de bala", contou o trabalhadorJosé de Souza. Metade dos trabalhadores, segundo os fiscais, está na fazenda há 72 dias. A maioria foi recrutada em Confreza, Porto Alegre do Norte e São José do Xingu, no Norte de Mato Grosso.
Eles foram atraídos para o local com a promessa de ganhar até R$ 2 mil, cada um, em 90 dias. Os maus tratos começaram na viagem. Quem não descesse dos caminhões para os empurrar no meio dos atoleiros, era espancado e jogado no chão.
A comida era descontada do salário prometido a cada um, mas os trabalhadores nunca eram informados sobre quanto deviam. Apenas tomavam conhecimento de que a dívida com alimentação era maior que o pagamento a receber.
Os fiscais encontraram na sede da fazenda várias amostras grátis de medicamentos com data de validade vencida. Os cadernos onde eram anotadas as despesas com os trabalhadores foram apreendidos.


