São Paulo,11 (AE) - Um levantamento feito pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) revelou que há 652 medicamentos no mercado brasileiro que têm em sua composição substâncias que foram proibidas em outros países. A lista foi encaminhada em janeiro à Comissão Nacional Técnica de Medicamentos do Ministério da Saúde. Segundo Gonzalo Vecina Neto
diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a comissão concluiu que não havia dados científicos que justificassem a remoção desses medicamentos do mercado. "Foi feita uma avaliação do risco e benefício de cada remédio e concluiu-se que esses produtos não representam risco à população", disse Vecina. "A proibição de cada droga depende muito da legislação de cada país."
A lista do Idec foi feita com base em uma publicação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que divulgou 364 remédios que são proibidos em países distintos. Segundo Lynn Silver, professora da Universidade de Brasília e consultora do Idec, 115 substâncias ativas desses medicamentos da lista da OMS são vendidas no Brasil sob 652 marcas ou apresentações diferentes.
O estudo conduzido por Lynn indicou, ainda, que 82 das 115 substâncias encontradas foram proibidas em pelo menos um país. "Dizer que a lista da OMS e do Idec não são baseadas em dados científicos é o mesmo que dizer que os governantes dos demais países não sabem o que estão fazendo", disse Lynn.
Entre os remédios pesquisados, há três tipos de proibições levadas em consideração. Primeiro, há os medicamentos que não deveriam ser vendidos, pois já há provas suficientes para comprovar seus efeitos prejudiciais. Os antidiabéticos Debei, do Laboratório Eurofarma, e Diabetal, do Laboratório Zambon, por exemplo, têm em sua composição a substância fenformina. "Essa substância pode provocar acidose láctica, caracterizada pela superprodução de ácido láctico, podendo levar à morte", disse Lynn. Esse produto já foi banido em mais de 25 países, entre eles Estados Unidos, Canadá e Alemanha. "O Brasil
a Índia e a Itália são os únicos países que ainda vendem esse produto."
Há remédios na lista que não são prejudiciais, mas devem ser administrados com cautela, pois há contra-indicações importantes. O ácido acetilsalicílico, usado em vários analgésicos, não pode ser administrado em crianças com infecções virais, como catapora ou mesmo gripe. Segundo Lynn, o ácido pode provocar, nesse caso, a síndrome de Reyes, uma grave disfunção de fígado. "A informação deveria estar visivelmente estampada na embalagem e na bula", explicou a professora.
A terceira restrição avaliada por Lynn diz respeito a drogas que são proibidas em alguns países, mas não há provas concretas para desconsiderar o produto. A Noruega, por exemplo, proibiu o uso de diclofenaco sódico, substância usada no remédio Voltarem, do Laboratório Novartis. "Não há um consenso mundial que dê motivos para retirar essa droga do mercado", afirmou. A lista do Idec está disponível no endereço http://www.idec.gov.br

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