Ministério da Saúde vai distribuir novo kit de diagnóstico para o mal de Chagas
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terça-feira, 13 de abril de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 14 (AE) - O Ministério da Saúde vai distribuir, até o fim do ano, 150 mil unidades do novo kit de diagnóstico para o mal de Chagas, com grau de eficácia de 99% e custo dez vezes menor que o método tradicional, para laboratórios conveniados. Atualmente o governo paga, em média, US$ 2 por cada teste, que tem confiabilidade entre 90% e 95%. O novo kit, que custará US$ 0,20, é resultado de um trabalho de dez anos coordenado pelo pesquisador Samuel Goldenberg, do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Goldenberg apresentou sua pesquisa hoje à tarde durante o Simpósio Internacional sobre a Doença de Chagas, no Rio.
Noventa anos depois depois de ter sido descrita, completados amanhã (15), a doença ainda apresenta alto índice de infecção e morte no País. Em 1996, 5.376 brasileiros faleceram em decorrência do mal de Chagas. Segundo o pesquisador da Fiocruz João Carlos Pinto, ex-presidente da Fundação Nacional de Saúde (FNS), estima-se que pelo menos 3,5 milhões de pessoas estejam infectadas no País. Outras 20 milhões correm risco de serem contaminadas, já que moram em regiões onde existe o barbeiro, inseto que abriga o parasita transmissor Trypanosoma cruzi.
O novo kit diagnóstico para Chagas baseia-se em técnicas de biogenética. Segundo Goldenberg, o teste usa metodologia Elisa, a mesma utilizada para identificação do vírus da aids. O novo exame é baseado em proteínas de DNA recombinante da bactéria P. Coli, que produz anticorpos em contato com o parasita e provoca uma reação sensível que confirma a existência da doença. No teste anterior, a identificação do Chagas era feito por proteínas purificadas do próprio parasita. "O uso de bactérias permite uma melhor definição química do teste diagnóstico para a doença, por isso o risco de erro é menor", diz o pesquisador.
Goldenberg explica que, geralmente, os exames com grau de confiabilidade menor podem induzir a uma reação cruzada com outra doença. "Muitos testes diagnosticam a existência de leishmaniose no paciente, quando, na realidade, ele tem mal de Chagas", afirma. Em dez anos de pesquisa, o médico testou 5 mil amostras, com 99% de acerto do diagnóstico. Cura - O mal de Chagas só tem cura se for identificado cedo - na fase aguda - que dura entre 20 e 30 dias a contar da contaminação. Depois, a doença entra em um período de latência, que pode durar até 20 anos, e, por fim, chega à fase crônica, de difícil controle terapêutico. As duas únicas drogas existentes hoje contra a doença são consideradas tóxicas demais. Segundo o diretor do IOC, José Rodrigues Coura, metade dos pacientes acaba morrendo.
"A doença causas lesões cardiopatas, hepáticas e no sistema nervoso", afirma. Hoje, o governo brasileiro gasta US$ 20 milhões por ano no controle do vetor - o barbeiro. Cada dólar investido na prevenção da enfermidade equivale a US$ 7 usados em tratamentos e exames de infectados. Um paciente com o mal de Chagas custa para o governo cerca de US$ 100 por ano.


