De acordo com uma pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), divulgada em fevereiro, o Brasil tinha pouco mais de 388 mil médicos. Destes, pouco mais da metade, 53,57%, possuíam título de especialista. Ou seja, havia um contingente de mais de 180 mil profissionais sem especialidade. Em 12 unidades federativas, havia mais médicos generalistas do que especialistas: Amazonas, Piauí, Rio de Janeiro, Amapá, Pará, Tocantins, Rondônia, Acre, Roraima, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Maranhão.
O Governo Federal alega que está preocupado com a formação e distribuição de especialistas em todo o Brasil. O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estão elaborando o Cadastro Nacional de Especialistas, com o objetivo de conhecer a distribuição dos médicos no território nacional. Segundo o ministério, o levantamento servirá de base para uma política de formação de especialistas, a ser desenvolvida entre os próximos dez a 15 anos.
Gerson Zafalon Martins, segundo secretário do CFM, aponta que para fixar profissionais nos locais onde não existem médicos, "especialistas ou não", são necessárias condições de trabalho suficientes: instalação de unidades de pronto-atendimento e de laboratórios de análises clínicas; monitoração (presencial e a distância) vinculada a programas de extensão de escolas públicas de Medicina; acesso a insumos e equipamentos de diagnóstico e terapia; apoio de equipe multiprofissional e rede de referência e contrarreferência (leitos, exames e outros procedimentos); criação de uma carreira federal para o médico e outros profissionais da área de saúde.
"Há especialidades médicas que correm o risco de diminuírem mais ainda se não forem tomadas as medidas necessárias para a sua valorização. A causa do baixo número de especialistas em certas áreas não é somente a baixa remuneração, mas principalmente falta de condições de trabalho", diz Zafalon, referindo-se, entre outros, às áreas de pediatria, neonatologia, medicina intensiva, obstetrícia, anestesiologia, ortopedia, oncologia e saúde da família. "A falta de especialistas nestas áreas causa atraso na marcação de cirurgias eletivas e consultas médicas, cronificando muitas doenças que deveriam ser tratadas precocemente. É de se ressaltar que um médico isolado no interior pouco vai resolver. É preciso uma equipe, pois de que adianta um obstetra sem o pediatra?", exemplifica, acrescentando que é preciso ainda uma equipe de enfermagem e outros profissionais da saúde.
A pesquisa do CFM mostrou que a concentração de especialistas é semelhante à que ocorre entre médicos em geral: 70,45% do total de médicos brasileiros estavam no Sul e Sudeste do País, e dos especialistas, 72,57% estavam nas duas grandes regiões. Os demais estavam distribuídos no Centro-Oeste, Norte e Nordeste.
No Paraná, segundo a pesquisa do CFM, em fevereiro 63,69% dos médicos eram especialistas, quinto melhor índice do País, atrás de Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Espírito Santo e Santa Catarina. (F.G.)

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