Brasília, 28 (AE) - A cobrança dupla de partos e também de serviços não realizados constam das mil denúncias de irregularidades em maternidades que chegaram este mês ao Ministério da Saúde. A avalanche de reclamações foi uma resposta a cerca de 200 mil correspondências enviadas pelo ministério entre março e abril a mulheres que haviam acabado de ter filhos. O governo queria informar itens e valores que o governo paga pelos hospitais conveniados pelo atendimento. Informa, ainda, o número do disque saúde, 0800-61 1997, para esclarecimentos de dúvidas. Houve alguns elogios, mas para a sua surpresa o governo acabou descobrindo uma série de pacientes lesadas em hospitais conveniados do SUS.
A paulista Daniela Vitória Rodrigues sacrificou-se para desembolsar R$ 500,00 para cobrir os custos de seu parto. Com a carta do ministério, descobriu que o Sistema Único de Saúde (SUS) lhe garantia ter tido o filho de graça. "Fiquei indignada pelo hospital ter cobrado de mim e do governo", contou ela hoje. A jovem é uma das três mil mulheres que, segundo estatísticas do Ministério da Saúde, podem ter sido vítimas de cobrança ilegal por parte de vários hospitais conveniados ao SUS.
Entre as pessoas que ligaram ao Disque-Saúde para responder ao ministério estava o primo de uma mulher que estaria incluída na lista de grávidas atendidas nos hospitais na hora de dar à luz. "Esta pessoa cujo, nome está na carta, já é falecida há 10 anos; esteve internada durante pouco tempo neste hospital", informou ele, que recebeu uma carta do ministério congratulando a mulher pelo parto, que segundo a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Lins, foi realizado no dia 26 de fevereiro deste ano, a um custo de R$ 207,88. "Ficamos magoados ao saber que estão cobrando por uma coisa que não aconteceu", disse ao disque saúde Rogério Souza.
Até o meio-dia de hoje, mais de 4 mil mulheres haviam ligado para o disque-saúde. As que apresentaram as denúncias dizem que têm como prová-las. "Até agora, as ligações eram em geral para esclarecimento de dúvidas sobre alguma doença ou para saber onde determinado serviço é oferecido", conta a coordenadora do serviço, Ellen Ayer. Todas as denúncias que chegam são triadas. As que apresentam fundamento serão enviadas ao Ministério Público Federal.
A jovem paulista Daniela Rodrigues não ignorou o fato de ter pago R$ 500,00 pelo parto. "Eu não trabalho e meu marido ganha R$ 480,00 por mês", disse ela, que voltou ao hospital São Miguel para reaver o valor pago indevidamente. "Eles me devolveram e nem reclamaram", contou.

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