Ministério da Saúde prepara plano para o Norte
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quinta-feira, 05 de agosto de 1999
Por Kátia Brasil (especial para a AE) 
Novo Airão, AM, 06 (AE) - O Ministério da Saúde está elaborando um Plano para o Norte (Planorte) do País, com previsão de financiamentos do Banco Mundial (Bird) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para reequipar a rede hospitalar e postos de saúde. Segundo o ministro José Serra, os Estados precisam de uma política específica, em especial ao combate da malária. "O ministério investirá R$ 300 milhões em capacitação e recursos humanos dos profissionais que atuarão no Planorte", disse o ministro, destacando que a malária, doença que mais atinge a população, ainda está na ofensiva e será considerada o objeto de ação número um do plano.
O Planorte permitirá ainda, segundo Serra, a obrigatoriedade do estágio para os médicos no interior do País. O estágio é fundamental para resolver a carência de profissionais e a concentração destes nos grandes centros. "Isso me parece um disparate e temos de nos organizar junto com a classe médica", adiantou Serra.
O ministro garantiu que o Planorte deverá ser adotado ainda este ano. O anúncio do plano foi feito durante a visita ao navio hospitalar Carlos Chagas, da Marinha brasileira. O navio estava ancorado em Novo Airão, a 180 quilômetros de Manaus, para atender a população ribeirinha. Serra chegou ao município num helicóptero da Marinha.
O ministro afirmou que o Planorte está sendo elaborado pelo presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Mauro Ricardo Costa.
Serra disse que não é a favor de construir centros de saúde e hospitais pelo País. "Em alguns Eestados, tem leitos sobrando; mas, aqui na Região Norte, está faltando e precisamos fazer uma coisa bem feita", afirmou o ministro, destacando que o plano terá o envolvimento dos Estados, municípios, Marinha e Exército.
Durante a vinda ao Amazonas, Serra anunciou que as populações indígenas do Amazonas serão as primeiras contempladas com o Planorte. Nesse sentido, foi firmado um convênio no valor de R$ 2,8 milhões com a Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp) para a assistência à saúde dos índios no Parque Nacional do Xingu, no Mato Grosso.
O ministro da Saúde falou ainda sobre a ação conjunta que se inicia na próxima semana entre os Ministérios da Saúde, Fazenda e Justiça para denunciar os laboratórios que abusam nos preços dos medicamentos. Segundo Serra, o ministério irá orientar a população para comprar remédios com os nomes genéricos e não pelo nome de fantasia. "O nome de fantasia ficará de lado para o consumidor ter uma redução de 30% nos preços dos medicamentos", disse Serra, garantindo que ele mesmo iniciou a experiência deixando de comprar o remédio Losek, usado para tratamento de doenças gástricas. Em Manaus o remédio usado pelo ministro custa 73 reais nas farmácias e drogarias. O remédio com a fórmula omeprozol pode ser adquirido por até 30 reais.


