Brasília, 22 (AE) - O governo brasileiro está desaconselhando o uso da "lavagem de sêmen" em doentes de aids no País. Usada para permitir que um homem infectado possa ter filhos sadios, a técnica para a retirada dos vírus da aids ainda não é considerada segura. "Não temos informações suficientes para saber se esse processo garante a retirada de todas as células contaminadas", afirma Marco Antônio Vitória, da Unidade de Assistência da Coordenação de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids do Ministério da Saúde.
A técnica de lavagem do sêmen é nova e já está sendo usada na Itália, Inglaterra e Espanha, segundo Marco Antônio.A lavagem é feita por meio de filtragem da secreção. No processo, são isolados os linfócitos e macrófagos, células de defesa presentes no sangue e no esperma, onde são encontrados os vírus da aids.
"Seria preciso mais tempo e mais estudos de acompanhamento para se ter certeza", diz o técnico do ministério. No Brasil, ele não tem conhecimento de clínicas que estejam trabalhando com o método. "O governo não recomenda", avisou.A técnica foi avaliada pela Comissão Nacional de Aids, assessora da Coordenação do Ministério. Mas seus integrantes também desaconselham o uso, pelo menos por enquanto. Estudos demonstram que uma pessoa infectada e sem tratamento médico pode ter até 11 mil partículas de HIV por mililitro de sêmen. A concentração é pouco menor do que a encontrada no sangue, de 18 mil por mililitro.
Melhoria - Para o técnico, o desejo do homem com aids de ter filhos é fruto da melhora da qualidade de vida das pessoas que contraem a doença. "Com o surgimento de medicamentos avançados, a sobrevida aumentou e as pessoas, felizmente, puderam passar a querer ter uma vida normal", disse ele.

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