Ministério da Saúde faz auditoria em hospital infantil de Nova Iguaçu
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quinta-feira, 30 de setembro de 1999
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 01 (AE) - Sob suspeita de fraudar o Sistema Único de Saúde (SUS), o Hospital de Clínica Infantil de Nova Iguaçu está sofrendo uma auditoria, feita por técnicos do Ministério da Saúde e das secretarias estadual e municipal. O Prontonil, como a clínica é conhecida, foi acusado pelo ministro da Saúde, José Serra, de fraudar quinze internações em suas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs), no valor de R$ 6.400,00. A acusação foi feita após a constatação de discrepâncias entre as guias de internação enviadas pelo Prontonil ao SUS e o relato de pacientes internados nas UTIs.
Procurado hoje pela reportagem, o diretor do Prontonil, João de Almeida, não foi encontrado. Na última quinta-feira, no entanto, Almeida admitiu, em entrevista a um jornal carioca, que houve cobrança indevida ao SUS, referindo-se a duas guias de internação que foram enviadas sem que tenham realmente acontecido. O diretor não soube explicar o motivo. "Pode ter havido erro de digitação", defendeu-se. A verba do Prontonil foi cortada pelo prefeito de Nova Iguaçu, Nelson Bornier (PSDB), que pretende verificar a fatura do hospital referente ao mês de agosto, que seria paga em outubro. A auditoria deverá terminar no fim do mês.
Para constatar e reduzir as fraudes, desde abril o Ministério da Saúde envia cartas a pacientes de todo o Brasil que tenham utilizado serviços de instituições conveniadas com o SUS pedindo que descrevam o tratamento que receberam e, assim, o Ministério possa comparar os pedidos de verba feitas pelos hospitais e suas reais necessidades. Os pacientes são escolhidos por sorteio e, havendo comprovação da irregularidade, são orientados a voltar ao hospital em que se internaram para pedir ressarcimento.
Muitas fraudes já foram constatadas, principalmente nos estados do Espírito Santo, Paraná e Rio de Janeiro. Em alguns casos, o hospital recebia mais de uma vez pela mesma internação; em outros, a verba era destinada a pacientes "fantasmas". De abril a setembro, 270 mil cartas foram enviadas pelo Ministério, que recebeu cerca de 1.100 denúncias. Para atender à população que queira denunciar fraudadores foi criado o "Disque-Saúde". O telefone é 0800-6111997.


