Ministério da Saúde reúne, na próxima semana, no Recife, representantes das secretarias de saúde do Nordeste para definir uma estratégia de ação preventiva, a fim de evitar uma epidemia de cólera na região.
Foram notificados, neste início de ano, casos de cólera em quase todos os Estados nordestinos. A maioria deles em Pernambuco, onde, em janeiro, houve 208 notificações de casos da doença - 47 deles confirmados - em 20 municípios.
Na avaliação do diretor do Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi), Jarbas Barbosa, o quadro atual do Nordeste é semelhante ao dos últimos três anos neste mesmo período, não representando um avanço da doença.
Ele considera fundamental, entretanto, que as secretarias se mantenham mobilizadas e em alerta até o fim do verão por causa da seca e do racionamento de água em algumas capitais, o que favorece a doença.
A população da Região Metropolitana do Recife, por exemplo, enfrenta um racionamento de 20 horas com água para quatro dias sem. ‘‘Com a falta, as pessoas tendem a usar qualquer água, podendo consumí-la contaminada’’, explica a diretora da Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde de Pernambuco, Jacira Ferreira. ‘‘Daí, o temor de uma expansão da doença.’’
Ela garante, entretanto, que a cólera está sob controle no Estado. Segundo ela, a secretaria desenvolve um trabalho de investigação, na tentativa de detectar precocemente possíveis surtos. Muitas notificações da doença são registradas em municípios da Zona da Mata Norte pernambucana. Num deles, Vicência, a prefeita Eva Andrade Lima decretou estado de calamidade pública na semana passada, depois da notificação de 45 casos.
O município não tem água tratada, sendo abastecido por poços artesianos e cacimbas que estão sendo clorados por equipes da Secretaria Estadual de Saúde. Também teve início a distribuição de 500 caixas de hipoclorito para 20 mil dos 30 mil habitantes de Vicência.

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