São Paulo, 29 (AE) - O Ministério da Saúde acusou hoje as indústrias de laticínios Nestlé e Parmalat de propaganda enganosa. Os produtos Ímega Plus, da Nestlé, Ímega 3 e Primeiro Crescimento, da Parmalat, terão seus anúncios retirados do ar e o material de divulgação recolhido. "A propaganda é falsa do ponto de vista científico", disse Ricardo Oliva, diretor de alimentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVS). A Parmalat e a Nestlé informaram que só se manifestarão após serem comunicadas.
Jorge Rubez, presidente da Leite Brasil (associação de produtores de leite do País), criticou a iniciativa do governo. Para ele, a ANVS está prejudicando produtos de boa qualidade e desconsiderando aqueles que provocam danos à saúde, como o leite vendido clandestinamente. "Cerca de 47% do leite brasileiro é clandestino, sem qualidade para ser consumido", disse. Ele acrescentou que o Ministério da Saúde deveria preocupar-se em aumentar o consumo de leite. "Consumimos apenas 140 litros per capita por ano enquanto a Organização Mundial de Saúde recomenda 280 litros."
O ministro da Saúde, José Serra, disse que há uma preocupação do ministério com o leite em geral e que essa preocupação abrange pequenos ou grandes produtores. Segundo Serra, é dever do governo garantir a qualidade dos alimentos. "Eu mesmo encomendei esse estudo", assinalou.
A propaganda do Nestlé Ímega Plus afirma que o produto "é o primero leite que melhora a circulação e ajuda a reduzir o colesterol". Já os anúncios do Ímega 3 informam que o leite "ajuda a controlar o colesterol e melhora a circulação do sangue". Segundo Oliva, não há consenso na classe médica de que os ácidos graxos poliinsaturados ômega 3 e ômega 6 (tipos de gordura) sejam benéficos. Oliva explicou que os ácidos graxos não reduzem o colesterol. "Na verdade, eles não elevam as taxas."
Outro problema apontado por Oliva é que as propagandas dão a entender que apenas o consumo do leite melhora a circulação. "Não adianta tomar o leite e comer duas picanhas", explicou. "A propaganda deveria deixar claro que o benefício do produto está associado a uma melhor qualidade de vida, com uma dieta balanceada e exercícios diários."
Oliva criticou o leite Primeiro Crescimento, da Parmalat. A propaganda assegura que o produto promove um melhor desenvolvimento da criança. Segundo Oliva, não há comprovação científica de que os ácidos graxos adicionados ao leite tenham efeito sobre o desenvolvimento neurológico das crianças.
Para as propagandas serem liberadas, Oliva afirmou que os três produtos devem ser registrados no Ministério da Saúde como alimento funcional - que além de servir para nutrição proporcionam outros benefícios à saúde. Normalmente, o leite é registrado somente no Ministério da Agricultura.

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